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“Para onde Eu vou, conheceis o caminho.”

Domingo V da Páscoa (São João 14, 1-12 )
– P. Manuel Carvalheiro

Padre Manuel Carvalheiro - Comentário à liturgia dominical

No ambiente da ceia pascal e das últimas palavras, Jesus prepara os seus discípulo para tudo o que vai acontecer, em breve. Num ambiente de grande intimidade, face ao dramatismo do anúncio da sua partida, as suas palavras são de alento: “não se perturbe o vosso coração”, até porque “para onde eu vou, conheceis o caminho”. Conhecemos o caminho?! Mas nem sabemos para onde vais! Tomé está tão desfocado e é tão espontâneo na sua reação.

Ora, quando acompanhamos Jesus, através dos relatos evangélicos, percebemos claramente que orientou toda a sua vida para o Pai; mesmo na dor, nunca teve outro sentido. Seria de esperar este reconhecimento por parte de quem privou com Ele, escutou os seus ensinamentos, viu as decisões e as atitudes que tomou. Elas revelam quem é Jesus. Ele é o Filho de Deus, a visibilidade do Pai.

É surpreendente como Tomé e Filipe incarnam o nosso desconhecimento e as nossas incoerências. Nós, que lemos a Bíblia, ouvimos falar de Jesus desde a catequese em tenra idade, que não faltamos a uma missa, que “temos” todos os sacramentos em dia, que não esquecemos uma procissão, uma devoção… porque desconhecemos ou hesitamos no caminho? Porque temos, tantas vezes, a tristeza marcada no rosto? Porque cedemos ao desânimo ou ao desespero na primeira dificuldade? “Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe?” Parece que não sabemos mesmo para onde vamos… “Eu sou o caminho” é a resposta do Senhor.

Diante da inconsistência das nossas opções, é renovado o apelo à fé. “Acreditai também em mim”, pois “ninguém vai ao Pai senão por Mim”. Aderir à pessoa de Jesus é um caminho pessoal, um modo de vida totalmente iluminado pela luz pascal, que vai muito além de ritmos e manifestações religiosas, não raro, apenas acontecimentos de dimensão social e cultural, mas que não nos comprometem. E se assim é, ainda não O conhecemos, nem ao caminho que nos propõe.

O nosso Bispo, no plano pastoral que entregou à Diocese, desafia-nos a aprofundar a nossa vida espiritual.  A espiritualidade é este encontro com o Senhor, como o caminho da nossa vida; a proximidade com Ele ilumina o concreto das nossas escolhas quotidianas. Viver segundo o Espírito do Ressuscitado não é uma alienação, uma fuga, mas um projeto de vida que incarna a mensagem do Evangelho, de que nos vamos apropriando e tornamos conscientemente nossa, como o caminho que conduz ao Pai.

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