- Enfoque

A balança do tempo

Enfoque CC 5064 – 30 abril 2026
– Sónia Neves

Sónia Neves - Enfoque

Aconteceu num instante, no meio de um encontro recente, com centenas de pessoas. Alguém que não via há anos aproximou-se e, cumprimentou-me, chamou-me pelo nome, sem hesitar. Naquele momento, o relógio parou. Não imaginei sequer que se lembrasse de mim, muito menos do meu nome… Houve um reconhecimento que atravessou o intervalo do tempo e das ausências. Ser chamado pelo nome é ser resgatado do anonimato; é a prova de que existimos para o outro e que o tempo, embora pareça passar de forma implacável, não apaga o que foi gravado com significado.

Trago este episódio para introduzir a entrevista do Grande Plano desta semana sobre o tempo. As palavras de Miguel Panão: o tempo não é apenas o que corre no relógio (o Cronus), mas a experiência de transformação que vivemos (o Íon). Quando somos reconhecidos pelo nome depois de tanto tempo, percebemos que a vida não é uma máquina em aceleração constante, mas uma sucessão de encontros que lhe dão sentido.

Na véspera do Dia do Trabalhador, faz sentido perceber como está a “balança do tempo”, para onde pende mais vezes e o que perdemos com isso. Há que gerar tempo, como nos diz o entrevistado.

E nesta gestão de tempo aparece-nos já no horizonte o mês de maio, com um convite do Bispo diocesano. É uma convocatória, em jeito de mensagem para uma “grande campanha de oração”, não apenas um cumprimento de um rito, mas uma relação de proximidade. A oração do Terço “para muitos será uma descoberta feliz” que “proporciona o encontro de famílias, grupos e povos”. Um convite à oração pela paz.

E se há alguém que sabe, e bem, gerir tempo são as mães. Aqui uma saudação especial para todas as mães que no próximo domingo têm o seu dia especial. Que os filhos tenham sempre tempo para as mães, elas que nos recordam que o amor exige tempo, paciência e memória.

Neste final de abril saibamos desacelerar, parar com propósito para ouvir o nosso nome e para chamar pelo nome dos outros. Que o mês de maio que se avizinha seja mais do que um mês no calendário; que seja um tempo gerado com afeto, oração e a certeza de que, aos olhos de Deus e de quem nos ama, nunca seremos apenas um na multidão.

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