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“A família é onde tudo nasce”

Em tempo de Advento e alinhado ao roteiro espiritual deste mês de dezembro, o Correio de Coimbra traz um Grande Plano sobre a Família. O desafio da Pastoral Familiar é chegar a todas as Unidades Pastorais.

«Precisamos de mais gente sensível à Pastoral Familiar»

Margarida e João Paulo Mendes são o casal coordenador do Secretariado Diocesano da Pastoral da Família de Coimbra, falam sobre o desafio de valorizar a família na sociedade atual e a necessidade de criatividade. O casal de Antanhol defende a importância de criar uma rede com as Unidades Pastorais, onde desejam que sacerdotes e leigos tenham compromisso com a Pastoral Familiar.

Há quanto tempo estão à frente da coordenação da Pastoral da Família?

Margarida: Estamos como casal coordenador há dois anos, mas na prática o mandato de três anos começou agora. Já participávamos na Pastoral Familiar noutro contexto, através de um movimento, o que nos permitiu conhecer os mecanismos antes de assumirmos esta responsabilidade.

Olhando para a sociedade e a Igreja de hoje, que valor é este que a Pastoral da Família tenta promover?

Margarida: É um desafio grande. A família está muito pouco valorizada. O valor que tentamos promover tem a ver com o acolhimento, o crescimento da vida – não só física, mas sobretudo a vida espiritual – e a comunhão. Acreditamos e defendemos a família tradicional de Nazaré.

João Paulo: A família é o centro onde tudo nasce. É onde se ensinam os valores mais importantes, como a curiosidade, a disponibilidade, a fidelidade e o sentido de justiça. Um jovem só pode ser íntegro e equilibrado se tiver a integridade de uma família.

A família está muito pouco valorizada.

Mas a família hoje em dia é muito diversa… Como é que o Secretariado lida com estas “famílias irregulares”?

Margarida: O secretariado trabalha essencialmente a coordenar e a ajudar as equipas locais da Pastoral Familiar. Chegam-nos as preocupações de haver muitas situações que procuram a Igreja. Defendemos que tem de haver uma atitude de acolhimento, mesmo nestas situações, que devem ser tratadas caso a caso. As situações de vida e o contexto são todos diferentes.

João Paulo: Por isso, estamos a tentar ter uma abertura maior para trabalhar com outros secretariados, nomeadamente a Catequese e a Juventude. A Catequese é a porta de entrada. Temos de aproveitar esse momento para fazer o encaminhamento e o acolhimento, algo que a Pastoral Familiar, historicamente, não fazia tanto.

Um jovem só pode ser íntegro e equilibrado se tiver a integridade de uma família.

João Paulo

No vosso Plano Pastoral mencionam três requisitos para a evangelização da família: sensibilidade, criatividade e compromisso. Querem explicar?

Margarida: A sensibilidade é estar desperto, é querer ir contra a corrente do individualismo e do ser fechado para si mesmo. É preciso querer ir ao encontro. A criatividade é fundamental, porque as famílias estão assoberbadas de solicitações. Temos de ter imaginação para as propostas serem apelativas e não serem apenas mais uma coisa a pôr na agenda. O compromisso é acreditar que é possível e ter a capacidade de motivar as pessoas envolvidas.

Um grande foco do vosso plano é o mapeamento, percebendo que muitas Unidades Pastorais não têm equipa de Pastoral da Família. Como chegámos a esta realidade?

João Paulo: Percebemos que a Pastoral Familiar parte muito dos párocos, mas também muito dos leigos e dos diáconos comprometidos. Os diáconos permanentes, por terem a sua família, alguns têm naturalmente uma maior aproximação e sensibilidade para a Pastoral Familiar. O pároco tem milhares de coisas, é mais uma tarefa…

É preciso maior sensibilidade ao trabalho feito pela Pastoral Familiar?

Margarida: Precisamos de mais gente sensível à Pastoral Familiar, sim. Diáconos e párocos precisam de mais sensibilidade. Se todos concordamos que a família é a base de onde vêm as vocações e onde tudo começa, por que não se aposta mais nesta área? A resposta, o acompanhamento e o compromisso são exigentes. É preciso ter alguém que tome conta.

Outra das vossas propostas é a formação e criação de novas comunidades. Qual é o plano para a formação?

João Paulo: Numa fase inicial, a formação que queremos dar é mais humana e relacional, para cativar as pessoas com vontade e disponibilidade. Queremos criar uma formação ao nível diocesano onde estes agentes locais possam partilhar e crescer.

Margarida: Além disso, temos propostas de trabalho para as equipas locais, não propriamente nós a fazermos a formação, mas a darmos sugestões para que eles próprios adaptem à sua realidade. Temos ainda um desafio de criar uma newsletter para promover o intercâmbio de boas práticas entre as Unidades Pastorais.

Queremos criar uma formação ao nível diocesano onde estes agentes locais possam partilhar e crescer.

Margarida, como médica obstetra, que traz a vida ao mundo, vive o Natal todos os dias?

Margarida: É um serviço que não conseguimos desligar. É verdade que o trabalho é muito, com todos os condicionamentos de falta de gente e burocracia, mas as pessoas que lá trabalham gostam do que fazem. Acaba por ser Natal, sim.

Como casal, como vivem o tempo de Advento e Natal?

João Paulo: Sempre tivemos a preocupação de fazer deste um tempo diferenciado do resto do ano, que culmina no encontro de família no Dia de Natal. A nossa casa é o ponto de encontro de todos.

Margarida: O mais importante é o facto de os filhos sentirem a família como porto de abrigo. Já sairam de casa e agora esperamos por netos. Passámos por aquelas fases da adolescência em que não querem saber, mas agora, ao olharmos para trás, percebemos que o que cultivámos, enquanto casal e família, teve retorno. Isso é o que mais nos dá alegria.

Temos ainda um desafio de criar uma newsletter para promover o intercâmbio de boas práticas entre as Unidades Pastorais.

Para terminar, uma mensagem vossa, como família e como coordenadores, neste tempo de Advento e fim do Jubileu da Esperança?

Margarida: Esperança é a palavra-chave. O nosso desafio é o compromisso e a aposta nas famílias. A nossa mensagem é de abertura local para as propostas do Secretariado, no sentido de dinamizar as equipas que funcionam e criar condições para as que ainda não existem.

João Paulo: Citando o roteiro deste mês: abrir a porta para que a Família seja a casa de Jesus. Que nas Unidades Pastorais abram as portas, não só a nós, mas à aposta na família. É nisso também que consiste o Advento e o Natal.

Esperança é a palavra-chave. O nosso desafio é o compromisso e a aposta nas famílias.


Centros de Preparação para o Matrimónio (CPM)

Família e o roteiro espiritual de dezembro

1. Introdução

O Matrimónio cristão é compreendido pela Igreja como uma vocação e um sacramento, que exige preparação humana, espiritual e comunitária. Nesse contexto, surgem os Centros de Preparação para o Matrimónio (CPM), dedicados a acompanhar e formar casais que desejam construir uma família com bases fortes na fé e no amor.

No mês de Dezembro, a Igreja convida as famílias a viverem uma caminhada espiritual relacionada com o Advento e o Natal. O texto “A minha família é a casa de Jesus” propõe uma reflexão profunda sobre a presença de Deus no lar e a importância de alicerçar a vida familiar em Cristo.

2. Centros de Preparação para o Matrimónio (CPM)

O que são os CPM?

Os CPM são um movimento da Igreja Católica que promove a preparação de noivos para o Matrimónio. É uma formação pastoral que ajuda o casal a:

  • Compreender o sacramento do Matrimónio
  • Refletir sobre a vida familiar futura
  • Reforçar a comunicação e a maturidade na relação
  • Integrar-se na comunidade cristã

E que tem como principal preocupação:

  • Formar e acompanhar os noivos na fé e no amor
  • Promover uma consciência realista sobre a vida a dois
  • Garantir que os casais constroem o lar sobre valores cristãos sólidos
  • Desenvolver a responsabilidade e missão familiar dentro da Igreja

Os CPM reforçam que o casal não está sozinho. A comunidade cristã tem um papel de suporte na construção de famílias firmes, acolhedoras e comprometidas com a vida e com o Evangelho. “A minha família é a casa de Jesus”.

Num mundo cheio de desigualdades, onde tantas famílias vivem dificuldades, ter um lar é bênção e responsabilidade.

Jesus deseja “acampar” no coração de cada família, cuidar dela e tornar-se centro do lar.

Escutar e praticar a Palavra é o fundamento de um lar firme e santo.

A família de Nazaré inspira:

  • humildade
  • simplicidade
  • capacidade de superar a adversidade
  • centralidade de Jesus na vida familiar

A família cristã é sempre lugar santo e abençoado, ainda que frágil.

3. Conclusão

Os Centros de Preparação para o Matrimónio ajudam os noivos a compreender que o Matrimónio é uma missão e uma vocação cristã fundada em Jesus Cristo. O roteiro espiritual de Dezembro recorda às famílias já constituídas que a presença de Jesus no lar transforma todas as dificuldades em oportunidades de crescimento e santidade.

Construir a família sobre a rocha que é Cristo é o caminho para uma casa firme, sustentada pela fé, pelo amor e pela esperança. Uma família cristã, à semelhança da Sagrada Família, torna-se verdadeiramente casa de Jesus.


Grupos de Mães que Oram pelos Filhos

O movimento Mães que Oram pelos Filhos nasceu no Brasil, em 2011, do carisma despertado no coração da filha da fundadora Ângela Abdo, como um chamamento de Deus para que mães se reunissem em oração pelos seus filhos e pelas suas famílias. Este carisma tem como missão a restauração das famílias pelo poder da oração de intercessão, sustentado pelo tripé espiritual da unidade, humildade e obediência.

Sob a proteção de Nossa Senhora de La Salette, Padroeira do movimento, as mães colocam diante de Deus as suas preocupações, angústias, alegrias e esperanças, confiando que Ele age no tempo certo e segundo a Sua vontade. Cada encontro torna-se, assim, um sinal de esperança e um convite a confiar que Deus escuta a oração de uma mãe e trabalha, no Seu tempo, na restauração das famílias.

Em 2014, com o lançamento do livro Mães que Oram pelos Filhos – Tudo Pode Ser Mudado pelo Poder da Oração, o carisma começou a expandir-se, dando origem a novos grupos no Brasil e, posteriormente, noutros países. Atualmente, o movimento está presente em 19 países, é reconhecido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e encontra-se em fase de reconhecimento pelo Vaticano.

Em Portugal, o movimento teve início em Viseu, a 12 de outubro de 2023, e tem vindo a crescer de forma consistente. Hoje existem oito grupos ativos nas cidades de Viseu, Braga, Lisboa, Coimbra, Porto, Pombal, Vila Nova de Gaia e Cernache do Bom Jardim.

O movimento Mães que Oram pelos Filhos em Portugal continua em expansão, com mães em discernimento noutras regiões do país, como Viana do Castelo, Aveiro, Setúbal, Algarve e Ilha da Madeira, entre outros. Em julho de 2026, realizar-se-á em Viseu o 1° Encontro Nacional de Portugal, reunindo mães de todo o país num grande momento de oração e comunhão.

Grupo de Coimbra

O grupo de Mães que Oram pelos filhos foi acolhido, sob a orientação e o apoio generoso do Padre Jorge, pároco da Paróquia de São José, que tanto nos acolheu nesta unidade pastoral e tem nos acompanhado em conjunto do Padre João Fernando, fortalecendo espiritualmente o Movimento de mães que atendem ao chamamento da oração.

O grupo de Coimbra iniciou a sua caminhada no dia 19 de março de 2025, dia de São José, confiando desde o primeiro momento esta missão à sua poderosa intercessão. O primeiro encontro foi marcado pela celebração da Santa Missa de São José, na Paróquia de São José, contando com a presença da comunidade e do Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes. Atualmente, o grupo reúne-se todas as quartas-feiras, a partir das 19h30, na Paróquia de São José com a presença de todas as Mães que perseveram unidas na oração e no fortalecimento da fé.

Mais do que números, o grupo de Coimbra cresce na profundidade da oração e na fidelidade diária, lembrando-nos as palavras de Santa Teresa de Ávila, que nos ensina que “Deus não olha tanto para a grandeza das obras, mas para o amor com que são feitas”.

Inspiradas também por Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho, exemplo de perseverança silenciosa e confiante, as mães seguem unidas, certas de que mesmo no recolhimento e no silêncio, a oração alcança o coração de Deus. Assim, seja em encontros pequenos ou numerosos, acreditamos que onde há uma mãe de joelhos em oração, os seus filhos e suas famílias permanecem sustentados pela fé.

Grupo de Pombal

O grupo de Pombal, o sexto grupo em Portugal, foi inaugurado no dia 20 de novembro, num encontro marcado pela comunhão e pelo apoio generoso à missão por parte do Padre Pedro Manuel Luís, da Igreja de Nossa Senhora do Cardal, local onde os encontros acontecem. Esteve também presente a Coordenação Nacional de Portugal, reforçando a unidade e o acompanhamento do movimento no país. Logo nesse primeiro encontro participaram mais de 60 mães, sinal claro da força deste chamamento em Pombal.

Atualmente, o grupo reúne-se todas as quintas-feiras, a partir das 18 horas, com uma média de cerca de 45 mães por encontro, que perseveram unidas na oração e no fortalecimento da fé.

Consideramos que este caminho é conduzido pelo próprio Deus. Reconhecemo-nos como instrumentos do Espírito Santo, guiadas por Nossa Senhora, com o desejo sincero de levar a restauração das famílias aos lares e fortalecer a fé das mães em Portugal, através da oração perseverante e confiante.

Constituição do grupo:

  • Mãe Formação : Bianca Milagres
  • Mãe Súplica : Alexandra Monteiro, Teresa Reis, Cristiane Oliveira
  • Mãe Música : Alexandra Monteiro
  • Mãe Metodologia : Teresa Reis
  • Mãe Mídia : Verônica Menegassi
  • Coordenadora : Rita Simoncelli

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