- Enfoque

Brio e frescura

Enfoque CC 5072 – 25 junho 2026
– Sónia Neves

Sónia Neves - Enfoque

Hoje inicio este enfoque com a palavra brio. Gosto da forma como se pronuncia e gosto do que significa. Pode ler-se: apreço, dignidade ou honra. Mas que significado guarda, nos dias de hoje? 

Num tempo marcado pela pressa, pela cultura do “tanto faz” ou pela satisfação imediata do clique, o brio corre o risco de parecer uma virtude antiga, podendo entrar em extinção… Aponto que o brio pode ser a assinatura da alma naquilo que fazemos. Ter brio é colocar o coração no detalhe, o cuidado minucioso de quem junta pétalas para desenhar um tapete de procissão, a procura do jornalista pela verdade e a dedicação do catequista que prepara cada encontro. 

O brio não é vaidade nem procura aplausos mas é o respeito que temos pelos outros e pela missão que nos foi confiada. É dar o nosso melhor, mesmo quando ninguém está a ver.

Chegados a esta reta final do mês de junho, o brio ganha uma textura diferente. Para muitos dos nossos leitores, este é o momento em que o ano escolar, profissional e pastoral chega à porta do verão. É tempo de arrumações nas gavetas das paróquias, de fechar diários de catequese e de fazer o balanço das sementeiras. Para muitas comunidades e famílias surgem as despedidas e as promessas de voltar, seja porque os ciclos letivos terminam, os grupos se reorganizam ou porque os caminhos de muitos mudam de lugar, sabendo que partir e regressar faz parte do ritmo da própria vida.

Mas na Igreja, nenhuma despedida é um ponto final e é aqui que a vida se cruza com a temática da água e do Batismo, o fio condutor que nos regenera.

A água, que corre fresca nos nossos rios e ribeiras tem este duplo mistério: ela limpa o que ficou para trás, mas transporta sempre a promessa da vida nova. O Batismo é, por excelência, o sacramento do brio original, o momento em que fomos renovados. Se o cansaço e desgaste de um ano inteiro de trabalho ou de dedicação pastoral deixa a sensação de terra seca, a água baptismal lembra-nos que a nossa fonte é inesgotável, refresca as promessas que fizemos e purifica a nossa fadiga, transformando cada encerramento num ensaio para um novo recomeço.

Vale a pena ler o Grande Plano desta semana (ou ouvir depois no Spotify) e partir à descoberta da temática da água e daquele que batizou Jesus, nas obras do Monsenhor Nunes Pereira, um novo passo deste roteiro a que nos propusemos.

Por aqui, no Correio de Coimbra, a nossa missão de informar e ligar a diocese continua sem interrupções nas próximas semanas e destacamos que o próximo domingo é dia de festa. O diácono Ruben Cunha vai ser ordenado sacerdote, um compromisso para vida. Que nunca lhe falte o brio de testemunhar a fé e a audácia de se deixar lavar pela frescura sempre nova do Evangelho. 

Aos leitores que já fazem malas para ir de férias desejamos um bom descanso e saiba que pode contar com a companhia do portal de notícias do Correio de Coimbra, agora também com um canal no Whatsapp, sempre para chegar a todos, com brio e frescura.

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