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Fundação AIS lança campanha de ajuda aos Cristãos de Cabo Delgado

Fundação AIS – Paulo Aido

Fundação AIS - Para nos pensarmos

Crise humanitária

A destruição da missão católica de São Luis de Monfort, em Pemba, em abril, é o exemplo cruel do que tem sido a violência dos terroristas do Estado Islâmico em Cabo Delgado. Há mais de 6300 mortos e mais de 1 milhão e 200 mil deslocados. A Igreja local, muito pobre, não tem como ajudar tantas pessoas em necessidade e, por isso, a Fundação AIS acaba de lançar mais uma campanha de ajuda de emergência para as famílias que foram forçadas a fugir e que estão na mais absoluta miséria.

© Foto ACN Portugal
© Foto ACN Portugal

“Os terroristas estão a queimar igrejas e aldeias, mas a fé deste povo continua viva”, diz Catarina Martins de Bettencourt, directora do secretariado nacional da Fundação AIS na carta que, por estes dias, está a chegar a casa de milhares de portugueses. A situação no norte de Moçambique, palco de uma onda crescente de ataques por parte do grupo terrorista Estado Islâmico, levou a fundação pontifícia a lançar mais uma campanha de ajuda de emergência para a Igreja deste país africano de língua portuguesa. O ataque de 30 de Maio à missão católica de São Luis de Monfort, em que a Igreja, ainda do tempo colonial, foi reduzida a escombros, assim como a escola primária e o posto de saúde, foi apenas mais um sinal de que os Cristãos estão mesmo na mira dos jihadistas e que a situação de insegurança em toda a região de Cabo Delgado permanece muito grave. O primeiro ataque terrorista ocorreu em Outubro de 2017, em Mocímboa da Praia, e desde então as populações têm vivido em constante sobressalto. Em declarações à Fundação AIS, na sequência do ataque à missão de São Luis de Monfort, o Bispo de Pemba, cuja diocese corresponde geograficamente à província de Cabo Delgado, disse que os terroristas querem mesmo impor um califado na região. “Os sinais existem”, disse D. António Juliasse. “Eles falam de califado. Quando encontram pessoas, quando capturam, raptam pessoas, eles fazem esse discurso de que já estão aqui com o califado estabelecido”, explicou o prelado. D. Juliasse sublinhou ainda que além de toda esta violência, das pessoas assassinadas, das aldeias destruídas, das capelas e igrejas queimadas, além de tudo isto, os terroristas andam a semear ódio entre as populações. E esse ódio ameaça destruir também a boa convivência que sempre existiu na região entre pessoas de diferentes credos.

“Ninguém está em paz”, alerta Irmã Ermelinda.

© Foto ACN Portugal
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A situação é de facto muito grave. Ninguém está a salvo na região. Os terroristas têm conseguido, inclusivamente, alastrar os ataques para as Dioceses de Nampula e Nacala, contíguas a Cabo Delgado. Aliás, foi na Diocese de Nacala que na noite de 6 para 7 de Setembro de 2022 foi assassinada a tiro a Irmã Maria de Coppi, cujo processo de beatificação vai começar já no próximo ano. Tal como ela, há centenas de mártires em Moçambique. Calcula-se que mais de 120 igrejas e capelas foram já destruídas pelos jihadistas e que mais de 300 católicos, segundo o Bispo D. António Juliasse, foram assassinados. A maioria por decapitação. A Irmã Ermelinda Singua, superiora das Irmãs da Imaculada Conceição, conhece de perto este sofrimento. Ainda recentemente, de passagem por Portugal, a religiosa falou sobre esta realidade dramática e pediu ajuda. “Venho aqui para pedir a vossa ajuda, para rezarem por nós, pois por causa da situação que vivemos no norte do país, principalmente em Cabo Delgado, com essas destruições, matanças, tudo isso, ninguém está em paz. Quero dizer muito obrigado a todo o povo Português pelo apoio que tem dado, não só a Cabo Delgado, mas também a todos os Moçambicanos. Muito obrigado e que Deus vos abençoe.”

“Continuem a ajudar”, diz o Cardeal Parolin.

© Foto ACN Portugal
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A situação é muito grave no terreno. Há famílias separadas, os campos agrícolas foram abandonados e, em muitas zonas, a fome começa a ser uma ameaça bem real. A Igreja Católica continua, apesar de todos os riscos, a estar presente e a desempenhar um papel insubstituível no apoio a estas populações. Em muitos locais, as missões católicas tornaram-se centros de acolhimento para deslocados, pontos de distribuição de ajuda alimentar, e espaços onde se presta apoio psicológico às vítimas dos terroristas. A ajuda aos traumatizados é tão importante como dar de comer ou vestir os que fogem dos ataques. Face a esta situação, a Fundação AIS lançou aqui em Portugal mais uma campanha de ajuda de emergência. Um dos objectivos desta campanha é sensibilizar os Portugueses para a necessidade da ajuda à sobrevivência das famílias deslocadas. Desde 2017 que cerca de 1 milhão e 200 mil pessoas foram forçadas a fugir, abandonando casas e campos agrícolas, vivendo agora apenas da caridade. A ajuda a estas famílias – com 45 euros é possível alimentar uma família durante 1 mês – é uma prioridade para a Fundação AIS. Tal como o apoio à Igreja local. São vários os projectos lançados pela Fundação AIS. 

Desde o reforço da segurança das casas de religiosas na cidade de Pemba, pois já ocorreram assaltos graves a algumas comunidades, à formação de seminaristas e ao desenvolvimento do programa de acompanhamento espiritual aos deslocados, há várias iniciativas que os Portugueses são convidados a apoiar, através da Fundação AIS. Uma ajuda que não tem passado despercebida aos olhos dos mais altos responsáveis do Vaticano. Ainda no final do ano passado, em dezembro, durante uma visita a Pemba, o Cardeal Pietro Parolin, em representação do Papa Leão XIV, referiu-se por diversas vezes ao trabalho que a AIS tem realizado no apoio às populações locais. “Apercebi-me agora do papel que a Fundação AIS está a desempenhar aqui. Estou muito satisfeito com isso. Felicitações e continuem realmente a apoiar e a ajudar estas comunidades que tanto precisam. Temos verdadeiramente de manifestar-lhes a solidariedade da Igreja universal de uma forma muito concreta e vós estais a fazê-lo”, disse o Cardeal Parolin, secretário de Estado do Vaticano.

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