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«Tinha o sonho de ser batizado para depois dar o passo a seguir…»

Vitor Gonçalves foi batizado e crismado na mesma noite e cumpriu o sonho de, uma semana depois, casar pela Igreja com a Conceição, a sua companheira de há 50 anos.

O Batismo e o Matrimónio depois de 50 anos de vida a dois

Vítor Gonçalves

Vítor Gonçalves tem 72 anos e foi batizado na Vigília Pascal deste ano na paróquia de S. João Baptista, em Coimbra. Um testemunho de persistência, de regresso à fé e de “afinação” de corações que envolveu toda a família e tocou a comunidade.

O Vítor foi batizado na Vigília Pascal deste ano. Como é que nasceu a ideia de receber os sacramentos da iniciação cristã nesta fase da vida?

Era um sonho que andava a ser construído há muito tempo… Por um lado, era um desejo antigo e, por outro, era o caminho necessário para podermos dar o passo seguinte: o padre Jorge casar-nos, celebrando assim os nossos 50 anos de vida em comum.

Mas porquê só agora? O que é que impediu este passo no início da vossa vida a dois?

O sonho esteve lá desde o início, mas não foi possível na época. Eu nasci no Brasil e nunca consegui obter a certidão do meu batismo lá, embora a minha mãe me tivesse dito que eu tinha sido batizado. Por falta de confirmação, os padres na altura em Lisboa, onde vivemos, não nos quiseram casar pela Igreja. Depois de uma caminhada de fé aqui em Coimbra, nesta comunidade, o padre Jorge (pároco) acabou por pedir autorização ao Senhor Bispo e fui batizado “sob condição”, para termos a certeza e podermos cumprir este desejo.

O sonho esteve lá desde o início, mas não foi possível na época.

Vítor Gonçalves

O Vítor esteve alguns anos afastado da prática religiosa, da Igreja. O que o fez querer regressar?

Tive uma educação católica, mas de facto estive afastado. Acredito que o Senhor me pôs as pessoas certas no caminho. Eu sentia qualquer coisa que faltava, sentia que queria regressar. Tive a sorte de ser convidado para fazer o percurso Alpha aqui na paróquia, e tanto eu como a minha esposa o fizemos. Foi o momento da confirmação daquilo que queríamos.

Acredito que o Senhor me pôs as pessoas certas no caminho. Eu sentia qualquer coisa que faltava, sentia que queria regressar.

Vítor Gonçalves

Como foi a experiência de ser batizado na Vigília Pascal, no meio de um grupo de jovens?

É um bocadinho difícil de traduzir por palavras, mas senti que algo entrou em mim. Eu era um homem de 72 anos no meio de jovens… algumas pessoas olhavam e queriam entender por que é que só agora eu dava este passo. Mas como o sacerdote dizia: nunca é tarde. E eu sinto que não, nunca é tarde, confirmo.

Chegou a dar alguns “conselhos” aos mais novos durante a preparação?

Lembro-me de dizer a dois jovens que, quando se comunga, não se mastiga a hóstia, deixa-se derreter para sentirmos que estamos a tomar o Corpo de Cristo, foi assim que aprendi na minha doutrina e lembro-me. Eles ficaram a olhar para mim com uma cara engraçada, mas acharam piada. No fundo, agora as coisas foram feitas com outra maturidade e outro compromisso.

Uma semana depois do batismo, a 11 de abril, o Vitor e a Conceição casaram finalmente pela Igreja. Como foi esse dia?

Recordo-me que há 50 anos, no nosso casamento civil, não tivemos ninguém da família no casamento. Tivemos três casais da nossa idade, que eram os nossos amigos, que assistiram e foram dos padrinhos, depois nós fomos padrinhos de outro casal, e foi assim. E desta vez, não tivemos a família toda entre nós, mas a família que temos, estiveram todos presentes.

Foi um dia de família, com gente que veio do Porto e de Lisboa. Eu sou mais introvertido, mas a Conceição é mais extrovertida e sentiu tudo de outra forma. O Padre Jorge até lhe disse que, quando a viu avançar para o altar, parecia que via uma auréola à volta dela. Transmitia a nossa felicidade do momento. 

Vitor Gonçalves com a esposa e os quatro netos
Vitor Gonçalves com a esposa e os quatro netos

Os filhos e os netos foram importantes nesta vossa decisão?

As filhas foram as principais “causadoras” disto, no bom sentido. Andaram sempre a “picar”, a dizer que tinha de ser. Temos duas filhas e quatro netos (entre os 17 e os 21 anos) e foi uma festa muito grande para todos. A minha sogra, que faleceu há um mês, também tinha esse sonho. Já não assistiu fisicamente, mas estaria a assistir na mesma.

Sinto que este momento também foi importante para os netos, temos uns netos espetaculares, não há dúvida. Eles adoram os avós mais a avó, é normal. Mas ficaram radiantes, a única coisa que eu vou pedindo ao Senhor é que continue a tê-los no bom caminho.

Este percurso mudou a vossa ligação à paróquia e à comunidade?

Sim, não foi só casar e ir embora. Estamos comprometidos e integrados numa “célula”. Este fim de semana vamos a Fátima com o grupo Alpha. É este caminho que nos faz sentido agora: continuar o trajeto que decidimos que devíamos fazer.

É este caminho que nos faz sentido agora: continuar o trajeto que decidimos que devíamos fazer.

Vítor Gonçalves

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