- Enfoque

Onde mora a nossa alegria?

Enfoque CC 5065 – 7 maio 2026
– Sónia Neves

Sónia Neves - Enfoque

Há uns dias passei a minha hora de almoço num dos grandes centros comerciais da nossa cidade. Tive aquela sensação da correria habitual, os rostos apressados, os sacos que se acumulam, o som metálico das escadas rolantes e a sensação de que estão sempre a chegar tarde a algum lado. É o ruído do consumo, a busca por algo, a procura incessante por algo desejado ou o último grito da moda.

Mas, curiosamente, no meio daquela agitação, dei por mim a pensar: quantas daquelas pessoas estarão apenas à procura de um pretexto para se sentirem em casa? Que alegrias terão na vida? Ou que tristezas tentam esconder?

A verdade é que as festas em família, que tanto marcam este mês de maio, sejam aniversários, casamentos, batizados ou primeiras comunhões, não se compram nas prateleiras de uma loja do shopping. A verdadeira festa acontece quando o tempo pára e a vida se reorganiza em torno do que é essencial. 

Esta semana, o Correio de Coimbra traz-nos um testemunho que me deu prazer descobrir, agradecendo já à leitora que partilhou com a redação. A história do Sr. Vítor Gonçalves, que aos 72 anos decidiu mergulhar nas águas do batismo, é uma lição de liberdade. 

Numa sociedade que idolatra a juventude e a rapidez, ver um homem com sete décadas de vida a partilhar o altar com jovens, a descobrir a fé e a consolidar um amor de 50 anos perante Deus, é o antídoto perfeito para a correria do shopping. Enquanto muitos correm para ter, o Sr. Vítor parou para ser. 

O seu batismo e o seu casamento não foram apenas ritos; foram a prova de que a “balança do tempo” tende sempre para o lado da eternidade quando deixamos que o amor nos guie.

Que este exemplo nos ajude a olhar oara a Igreja que acolhe e envolve, ajuda na fé e chama outros. “Preservar vozes e rostos humanos” é o tema do próximo 60º dia mundial das Comunicações Sociais e indica esta essência, o valor do ser humano e a comunicação com os outros.

No final do dia, onde mora a nossa alegria?

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