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Comunicação da Igreja desafiada a integrar comunidades

No âmbito do Dia Mundial das Comunicações Sociais, Carlos Camponez destacou que a verdadeira proximidade faz-se ouvindo a base e arriscando na integração.

«Mudar o pensamento, não apenas o chefe»

O docente da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra analisou a crise da imprensa regional e desafiou os órgãos diocesanos a mudarem de pensamento. 

O desaparecimento progressivo dos jornais regionais e a urgência de repensar a comunicação da Igreja foram os temas centrais da intervenção do professor Carlos Camponez, no encontro que assinalou o 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, em Coimbra. Na análise, o docente e investigador da Universidade de Coimbra alertou para o facto de muitos projetos estarem a morrer por falta de renovação e excesso de isolamento.

O panorama atual da imprensa local foi classificado “assustador”, face à perda constante de leitores e ao encerramento de títulos. Contudo, o investigador desmistificou a ideia de que a resistência do setor à digitalização tenha sido um mero conservadorismo. 

“Se a imprensa regional aderisse, como aderiu a imprensa nacional, à digitalização, eles não existiam no país”, afirmou, lembrando que o público e os anunciantes locais não estavam preparados para essa transição tão rápida.

Na biblioteca nova do Seminário de Coimbra, a iniciativa do Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais, levou à reflexão o tema da “proximidade na comunicação”, numa tarde de domingo.

Um dos grandes diagnósticos deixados por Carlos Camponez foi a forte ligação da imprensa regional, onde se inclui a da Igreja, a figuras carismáticas, mas que não encontram sucessão. 

“O que eu tenho visto é o projeto a morrer à medida que as pessoas vão morrendo”, lamentou.

Para Carlos Camponez, a solução para garantir a continuidade passa por «entrar sangue novo, renovar», também nos meios de comunicação da Igreja. 

Depois, “e reforçando”, quebrar o isolamento através de uma maior cooperação e integração entre os órgãos de comunicação paroquiais e diocesanos, ultrapassando a fragmentação «sem abafar as especificidades locais», pedindo cooperação às diferentes comunidades, integrando.

Olhando os meios de comunicação da Igreja, o docente defendeu uma mudança profunda que vai muito além da estética ou das lideranças. 

“Quando eu digo que os órgãos de comunicação social da Igreja devem ser renovados (…) não é apenas mudar o chefe, é mudar o pensamento”.

O investigador defendeu que “uma igreja forte não tem de se preocupar com iniciativas que sejam algo dissonantes, tratando-se da própria comunidade”, e valorizou a figura clássica da pessoa que, ao nível da rua, distribuía o jornal, recolhia as assinaturas e escutava ativamente as histórias das populações.

A tertúlia foi-se desenvolvendo com as questões e inquietações partilhadas pelos presentes, sublinhada muitas vezes a “necessidade de informação sobre comunicação”.

A fechar a sua intervenção, e deixando uma nota de futuro para os agentes de comunicação presentes, Carlos Camponez recorreu ao filósofo Gabriel Marcel para redefinir o conceito de esperança nestes tempos de crise dos media.

“A esperança não é aquela ideia de que acreditamos que alguma coisa ali vem (…) Esperança é o impulsionar-se para a frente. Ou seja, nós temos esperança quando estamos a fazer alguma coisa, a ser. Para ele, a esperança está profundamente ligada à “disponibilidade”, à fidelidade e ao amor, iluminando o sentido da existência em tempos de angústia”, defendeu.


Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais vai iniciar viagem pelos nove Arciprestados

A Diocese de Coimbra está atualmente dividida em nove arciprestados e cerca de 38 unidades pastorais, mas o diagnóstico feito revela que “ninguém sabe o que a unidade pastoral ao lado está a fazer, como comunica, se tem um site ou uma rede social”.

Para combater este isolamento e responder ao desafio de proximidade deixado no encontro, o Secretariado das Comunicações Sociais prepara-se para iniciar uma viagem por todos os arciprestados da diocese e envolver ainda os secretariados diocesanos.

Os objetivos desta iniciativa, que conta com o entusiasmo do bispo diocesano, são claros:

  • Escutar as comunidades e perceber as suas reais necessidades no terreno;
  • Dar a conhecer o Secretariado e esclarecer o seu verdadeiro propósito;
  • Unir e aconselhar, quebrando o desconhecimento sobre pastoral da comunicação

«O Secretariado não é para dar notícias», assume a estrutura diocesana, «serve para aconselhar, estar presente e ajudar a comunicar».De destacar que a Diocese de Coimbra conta com dois órgãos de comunicação social de dimensão diocesana: o Correio de Coimbra e O Amigo do Povo.


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