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Terminou o Jubileu mas a Esperança ficou

D. Virgílio Antunes

D. Virgílio Antunes - Enfoque

Encerrámos o Ano Jubilar no Domingo da Sagrada Família. Podemos dizer que terminou o Ano da Esperança, mas a esperança ficou reforçada na vida da Igreja, nas suas comunidades, nas famílias e em cada um de nós.

A Festa da Esperança que fizemos na Sé Nova no dia 28 de dezembro de 2026 trouxe-nos alguns testemunhos reais e sentidos de pessoas que viram renascer a sua esperança na vida e em Deus, sob o impulso do ano jubilar. Sabemos que foram muitos a fazer esta experiência de encontro com Jesus, a esperança que não engana, e que sentiram a grandeza do Seu amor, a força do Seu perdão, a alegria da confiança que dá coragem para viver, mesmo no confronto com dificuldades, sofrimentos e alguns desânimos.

Cada Jubileu é portador de uma graça dispensada por Deus por meio da Igreja. Os apelos que fomos ouvindo no sentido de recomeçar uma vida nova de encontro com Cristo, com a Igreja, com os irmãos… produziram muitos frutos. A alegria que vimos estampada nos rostos em cada peregrinação jubilar do Seminário à Sé Nova, mostrou-nos como o dom de Deus atuou em tantos milhares de participantes.

Ficaram alguns sinais de esperança renovada, que vale a pena lembrar.

O mais visível tem a ver com o grande número de participantes, vindos de todas as regiões da Diocese de Coimbra. Foi uma grande mobilização de crianças, jovens e adultos, num tempo de forte secularização e em que aparentemente não era possível tirar as pessoas da sua rotina habitual. Saíram das suas casas, fizeram um esforço grande e participaram com ar feliz.

Realizaram-se várias peregrinações de grupos humanos que não têm uma relação institucional com a Igreja. No entanto, manifestaram plena disponibilidade para fazer a peregrinação jubilar e manifestar que nas suas fileiras são muitos os que se identificam com a fé cristã.  A sede de Deus existente em cada pessoa humana e a inspiração evangélica de muitas instituições da nossa sociedade são um sinal inequívoco de uma esperança que renasce na humanidade.

Na celebração do Jubileu, percebemos de novo como a dimensão espiritual da vida é essencial. A humanidade tem necessidade de propostas inequívocas de espiritualidade cristã, assentes na Sagrada Escritura, fundadas na celebração dos mistérios da fé, enraizadas no Espírito Santo de Deus. Quando temos possibilidade de momentos de silêncio, de oração profunda, de interiorização das realidades da vida, sentimo-nos mais preenchidos, com mais sentido para o caminho, com motivações mais fortes para avançar. A experiência do Jubileu deixa-nos o desafio da espiritualidade cristã como fonte de esperança.

A peregrinação jubilar trouxe às comunidades cristãs das paróquias, unidades pastorais e arciprestados a certeza de que é possível fazermos caminhos juntos. A disponibilidade para programar a peregrinação e para a realizar, assim como a união e colaboração de muitas pessoas nas diferentes tarefas, diz-nos que é possível abraçar os novos desafios que se põem à Igreja Diocesana nas circunstâncias presentes. O jubileu também mostrou que a esperança da edificação da Igreja por meio da comunhão dos seus membros, unidos pelos vínculos do Espírito Santo, já está presente.

 Terminou o Jubileu, mas a esperança ficou. Passado um ano tão intenso de peregrinações, agradecemos a Deus a inspiração que nos ficou do Papa Francisco que o convocou e a que deu continuidade o Papa Leão XIV. No período em que vive a Igreja e a humanidade, reconhecemos, agora, que o tema que nos orientou, a esperança, nos foi dado pelo Espírito Santo. O mundo ficou melhor e mais cheio de esperança, porque cada um de nós assumiu a missão de ser cuidador da esperança, da sua e da dos outros. A Igreja ficou melhor, porque está decidida a levar ao mundo a esperança que não engana por meio da evangelização, a sua missão de todos os dias.

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