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Preservar o Rosto, Amplificar a Voz

Enfoque CC 5066 – 14 maio 2026
– Sónia Neves

Sónia Neves - Enfoque

O Papa Leão XIV, na sua mensagem para o 60.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, assinalado a 17 de maio, coloca-nos um desafio que é, simultaneamente, um grito de alerta e um ato de esperança: a urgência de “preservar vozes e rostos humanos”. Numa era em que a comunicação corre o risco de se tornar um eco de algoritmos frios, a Igreja pede-nos para regressar ao essencial: à pessoa concreta, com a sua história e a sua voz autêntica.

Esta semana, o Grande Plano do Correio de Coimbra mostra este apelo de forma viva. A entrevista ao Chefe Regional do Corpo Nacional de Escutas (CNE), Nuno Canilho, celebra o centenário do escutismo na nossa Região: um século de rostos que se olharam nos olhos à volta de uma fogueira e de vozes que entoaram promessas de serviço. Como nos diz o Chefe Regional, o escutismo quer ser “da flor a fragrância” na sociedade, um rasto humano que nenhuma tecnologia pode substituir.

No entanto, preservar o humano não significa ignorar o progresso, mas amplificar a voz e alargar o público alvo. Entendo que se use a técnica ao serviço do encontro, a “máquina ao serviço do Homem”. É com este espírito que o Correio de Coimbra lança nestes dias um novo canal de proximidade: o nosso Podcast oficial, disponível no Spotify

“Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservarmo-nos a nós próprios. Aceitar com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial não é sinónimo de esconder de nós mesmos os pontos críticos, a opacidade e os riscos”, escrevia o Papa Leão XIV na sua mensagem para o 60 dia Mundial das Comunicações Sociais. 

Sabemos que o tempo é, muitas vezes, o maior obstáculo à leitura profunda, por isso, decidimos usar, assumidamente, a Inteligência Artificial para dar uma nova vida aos nossos conteúdos. Através de uma experiência de inovação editorial, o “Grande Plano” que publicamos no portal ganha agora uma dimensão áudio, permitindo que as histórias da nossa Diocese o acompanhem no carro, no trabalho ou em momentos de descanso.

É uma ferramenta digital mas o seu propósito é profundamente humano: garantir que a voz da nossa Igreja e os rostos das nossas comunidades cheguem mais longe e a mais pessoas. Queremos que esta nova voz seja um abraço sonoro, preservando a verdade do que escrevemos com a agilidade que os tempos de hoje exigem.

Seja no ecrã ou através dos auscultadores, o nosso compromisso permanece o mesmo: ser o lugar onde cada pessoa é chamada pelo nome e onde nenhum rosto se perde na multidão.

“É necessário que o rosto e a voz voltem a dizer a pessoa. É necessário preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do ser humano, para a qual também se deve orientar toda a inovação tecnológica”, conclui o Papa. 

E, já agora, fica o convite para assinalar o Dia Mundial das Comunicações Sociais, este domingo, na tertúlia “Proximidade na Comunicação”, pelas 15h00, no Seminário Maior de Coimbra, uma iniciativa do Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais.

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