As últimas semanas em Coimbra, e um pouco por todo o país, foram marcadas pelo som do vento e pela força da água. As tempestades que fustigam a nossa região não deixam apenas marcas na paisagem e infra estruturas danificadas; deixam, em muitos de nós, um sentimento de vulnerabilidade. Ver o que é sólido ser abalado recorda-nos a nossa fragilidade. Mas é precisamente nesta fragilidade que descobrimos a nossa maior força: a capacidade de cuidar.
Nesta edição, mergulhamos no coração da saúde em Coimbra através da entrevista à Sílvia Monteiro. Numa cidade que é referência na medicina, o nascimento de um Serviço de Humanização na ULS Coimbra não foi apenas um passo administrativo mas uma afirmação de identidade. Como nos diz a médica cardiologista, “o segredo do amor é cuidar”. Esta visão recorda-nos que, tal como uma árvore vergada pela tempestade precisa de amparo para não quebrar, o doente no seu leito de hospital precisa de mais do que técnica e fármacos. Precisa de ser visto como um rosto, uma história, uma presença sagrada. Vale a pena ler o Grande Plano desta semana!
E, se noutros anos este seria tempo de alegria e cores com os dias de Carnaval, este ano a festa está suspensa e adiada em muitas cidades do país. “Saltando” o entrudo, olhamos já a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa, que se inicia na próxima quarta-feira, dia 18 de fevereiro.
Este tempo favorável que se avizinha deve ser vivido como um caminho de reconstrução interior. A Quaresma é o tempo de limpar os detritos que as nossas “tempestades” pessoais deixaram no coração — o egoísmo, a indiferença, o descarte do outro…
Atrevo-me a dizer que a humanização da saúde e a conversão quaresmal tocam-se no mesmo ponto: a capacidade de sair de nós próprios para ir ao encontro do outro, da dor alheia. Recorda-me o título de um livro que li há pouco tempo, “Tão frágeis e tão amados”, da Paula Noronha Jordão, Missionária Verbum Dei, editado pelo Apostolado de Oração, e que nos leva pela mão “para viver a liberdade no amor de Deus”.
“Só podemos amar no presente e no futuro, porque no passado, no presente e no futuro fomos, somos e seremos muitos amados. Aconteça o que acontecer, somos amados, cuidados e agraciados”, pode ler-se.
Que aprendamos também, nesta caminhada para a Páscoa, que a caridade é o único abrigo capaz de resistir a qualquer vento. Olhemos para o lado e saibamos dar uma ajuda nas várias ações solidárias que acontecem pela diocese de Coimbra.

