A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) de Portugal aprovou, este sábado, “por unanimidade” uma moção a contestar o novo pacote laboral em debate, expressando a “sua preocupação e indignação”.
“Esta reforma, que sendo apresentada como modernizadora, é uma perigosa regressão histórica e um retrocesso civilizacional que segue a lógica da desregulação neoliberal”, pode ler-se no documento intitulado “Trabalhamos para viver, não vivemos para trabalhar”..
O movimento considera que o anteprojeto “Trabalho XXI” é “mais uma imposição do que uma negociação”.
No texto, a LOC/MTC salienta que a “pessoa que trabalha deseja não apenas receber uma justa remuneração”, mas que “no processo de produção tenha a oportunidade de nele empenhar a sua iniciativa e criatividade, sem que se sinta apenas parte de uma engrenagem ou simples instrumento de produção”.
“O trabalho torna possível a constituição de uma família, que é um direito fundamental e uma vocação da pessoa (L. E, n. 10). As condições do trabalho (incluindo a remuneração e a sua duração) devem favorecer, e não penalizar, a vida familiar do trabalhador”, defendeu.
Segundo o movimento, “quando a precariedade laboral se generaliza, geram-se formas de instabilidade psicológica e torna-se difícil a constituição de uma família aberta à vida ou a realização de outros projetos pessoais duradouros”.
O documento destaca ainda que “a economia, a empresa e o trabalho devem servir as pessoas, e não o contrário (“o trabalho para a pessoa, e não a pessoa para o trabalho”).
“Em Portugal, grande parte dos empregos criados assentam em vínculos precários. A precariedade é um flagelo sem resposta, que agrava as condições de vida dos trabalhadores e das famílias”, alerta a LOC/MTC.
O movimento escreve ainda que “o aumento do custo de vida, o persistente modelo dos baixos salários e das reformas são a causa para muitos trabalhadores e a maioria dos pensionistas, se encontrarem tantas vezes em pobreza ou no limiar da pobreza”.
“Estes baixos rendimentos, de uns e de outros, obrigam-nos a viver sem condições dignas e a fazer parte da população mais desfavorecida”, acrescentou.
Ainda no texto, a LOC/MTC ressalta que “mantém-se o acentuado aumento e desregulação dos horários de trabalho, a intensificação dos ritmos de trabalho, a redução do valor do trabalho extraordinário, as horas noturnas e o trabalho por turnos em dias feriados e de descanso”.
De acordo com o movimento, o objetivo é que estas “que permitam respostas eficazes na defesa dos justos direitos conquistados com negociações e justas lutas, nos valores essenciais da dignidade e dos direitos humanos”.
Comprometemo-nos a dar o nosso contributo na luta por melhores condições de vida e de trabalho, pela Paz e Justiça Social no mundo, a ser fraternos e solidários, na presença e na escuta, juntos dos trabalhadores, pensionistas e da população mais desfavorecida”, assume a LOC/MTC.
O XX Congresso Nacional Extraordinário da LOC/MTC realizou-se este sábado, no Colégio São Teotónio de Coimbra, reunindo “delegados e militantes dos grupos das oito dioceses” onde está implantado” e convidados dos outros movimentos com quem tem “uma relação de proximidade como a JOC, MAAC e o CNAL”.
Fátima Pinto, da Arquidiocese de Braga, foi eleita a nova coordenadora nacional, sucedendo a Américo Monteiro, e Ricardo Coelho, da Diocese de Coimbra, foi escolhido como novo vice-coordenador, para o triénio que decorre até 2028.
O encontro contou ainda com a presença de D. Virgílio Antunes, bispo de Coimbra, que, de acordo com o comunicado, manifestou “a sua alegria por este se realizar na sua diocese, parabenizou a LOC/MTC pela clareza e simplicidade da sua forma de comunicar numa linguagem acessível, bem como pela firmeza das suas tomadas de posição”.
Foi ainda lançado o início da celebração dos 90 anos da LOC/MTC com um vídeo, cuja comemoração se prolongará durante o ano.
O congresso concluiu com a celebração da Eucaristia, momento de ação de graças pela vida do movimento e também pelas vidas que por ele têm passado e que fizeram dele essencial para o mundo do trabalho e para a Igreja.
(Com Agência Ecclesia)

