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Quatro jesuítas professam últimos votos em Coimbra

Os padres Andreas Lind, Francisco Mota, Miguel Pedro Melo e Paulo Duarte assumem a sua incorporação definitiva e plena na ordem fundada por Santo Inácio de Loiola

Foto: Diocese de Coimbra

No dia 31 de maio, Solenidade da Santíssima Trindade, a Sé Nova de Coimbra vai acolher a incorporação definitiva de quatro sacerdotes na Companhia de Jesus, os chamados últimos votos. 

“Nós, jesuítas, fazemos o noviciado em Coimbra, o início foi aí”, recorda o padre Paulo Duarte ao Correio de Coimbra. 

Para o sacerdote, que cumpre em setembro 23 anos desde que entrou na Companhia, regressar à Sé Nova, “uma antiga igreja histórica dos Jesuítas”, é fechar um “ciclo espiritual e humano muito bonito”.

Quatro jesuítas, os padres Andreas Lind, Francisco Mota, Miguel Pedro Melo e Paulo Duarte, vão professar os seus últimos votos, um ato solene que marca a sua incorporação definitiva e plena na ordem fundada por Santo Inácio de Loiola.

“Ao contrário de outras congregações, na Companhia de Jesus nós não temos votos temporários que se renovam de ano a ano. Os nossos primeiros votos, feitos no final do noviciado, já são perpétuos e canónicos”, explica o padre Paulo Duarte.

O que acontece agora, passados os estudos intelectuais em Filosofia e Teologia, períodos de missão (magistério) e a ordenação sacerdotal, é a incorporação definitiva, o momento em “que se professa o característico “último voto” dos jesuítas, o voto especial de obediência ao Papa para as missões”.

“Esta marca histórica remete para os primeiros companheiros de Santo Inácio que, impossibilitados de ir a Jerusalém, se colocaram aos pés do Sumo Pontífice para irem para onde fossem mais precisos. Traduz uma disponibilidade total e radical para a missão. O jesuíta incorpora-se definitivamente nesta entrega total à Companhia e, indivisivelmente, ao serviço da Igreja, em particular na visão do Sumo Pontífice”, refere o sacerdote.

Antes de chegarem a este dia, os quatro jesuítas passaram pela chamada “Terceira Provação”, uma etapa de seis meses a que Santo Inácio chamava a “escola dos afetos” e o padre Paulo esclarece que o termo não se refere a “abracinhos fofinhos”, mas a perceber “como é que a realidade nos foi afetando, moldando, na fragilidade, na luz e na sombra”.

É um período em que voltam a fazer os Exercícios Espirituais de um mês, em silêncio absoluto, e também a estudar as Constituições da Ordem. Trata-se de um tempo de maturação onde o jesuíta se vai reconhecendo como um pecador amado. 

“Mais do que ser o jesuíta ser bom, é mesmo viver a consciência de um abandono a Deus. É um ato de confiança mútuo: nós confiamos e a Companhia também confia e acredita em nós”, partilha.

“Nesta fase tenho muito a sensação de querer dar um ‘sim’ a esta Igreja real e à Companhia real, e não a uma Igreja idealizada. Não vou porque é espetacular ou maravilhoso, embora também tenha coisas maravilhosas, mas porque é real. E eu acredito no Cristo que encarna na realidade, na fragilidade e na sombra, e não na abstração”, confessa o padre Paulo Duarte.

A celebração dos últimos votos é feita publicamente diante do Padre Provincial, que representa o Superior Geral da Companhia de Jesus e há ainda uma “tradição inaciana que acontece longe dos olhares da assembleia: os chamados votos da sacristia”.

“Nesses votos simples, mas de enorme radicalidade, os professos prometem nunca alterar as regras da pobreza na Companhia e, de forma muito expressiva, comprometem-se a nunca procurar ou pretender, direta ou indiretamente, cargos de poder, dignidades ou prelaturas (como o episcopado) dentro ou fora da ordem”, indica.

O dia 31 de maio, dia escolhido, em que a providência da agenda fez coincidir com o Dia da Santíssima Trindade, a Visitação de Nossa Senhora e o Dia Mundial do Tripulante de Cabine, ocupação do padre Paulo Duarte antes de entrar na Companhia de Jesus.

A partir deste dia, estes quatro sacerdotes assumem a sua pertença plena à Companhia, prontos para serem enviados para qualquer responsabilidade.

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