1António José Seguro foi empossado, envolto em consuetudinárias pompa e circunstância, Presidente da República. E, na procura de ser diferente, o novo Supremo Magistrado da Nação, eleito com a maior votação numérica de sempre, afirma-se Presidente não só de todos os portugueses – mas como, se é eleito apenas pela parte? –, agora também, nem menos… de Portugal inteiro!
2A poucos dias do reinício das sessões do julgamento da Operação Marquês, mais um advogado oficioso solicitou escusa da função, quadro que poderá voltar a adiar a tramitação judicial que investiga suspeitas de crimes de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais que impendem sobre José Sócrates. Até quando se alongará, ainda, um processo – foram já oito, entre mandatários escolhidos e nomeados, os causídicos ligados à defesa daquele antigo primeiro-ministro socialista –, que envergonha o próprio país, mostra à evidência a incapacidade da nossa Justiça, a falta de instrumentos legais que ponham cobro, possíveis a quem disponha de meios financeiros para o fazer, a esta cascata de adiamentos que viabilizam, temporalmente tão próximas, insuportáveis prescrições?
3O nosso país continua sem capacidade de defesa antiaérea de médio e longo alcance, apenas detendo mísseis Stinger – adquiridos na década de 1990, durante o governo de Cavaco Silva, ainda detonarão? – vocacionados para combater alvos a muito baixa altitude, como helicópteros ou drones. Contudo, além das promessas de modernos sistemas contidas na Lei de Programação Militar, ainda dispomos, comprovou-se no auxílio prestado pelas Forças Armadas aquando das recentes cheias…de uma meia dúzia de camiões novinhos em folha!
4Não sei se decorrente dos temporais que se abateram sobre significativa parte do território – que evidenciaram a falta que nos faz a existência de um nível intermédio entre as administrações nacional e local –, se pela posse (e hodierno formato institucional daquelas entidades desconcentradas) das presidências das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional, voltou à atualidade política, defendida por uns, execrada por outros, permanentemente adiada por todos, a criação, constitucionalmente prevista, das Regiões Administrativas. E a elas regressaremos em futuras intempéries, aquando de próximas mudanças partidárias na governação…
5Abriu, no hospital Beatriz Ângelo, em Loures, a primeira urgência regional de ginecologia e obstetrícia da zona do Tejo, a forma, única, que o ministério da Saúde encontrou para mitigar a inexistência – aqui, nem o ‘hipocratíssimo’ mercenarismo dos tarefeiros nos vale – de médicos daquelas especialidades. Mesmo assim, perante tão incontroversa realidade, o que será que autarcas e alguns contestatários (pelas imagens, sobretudo avoengos cidadãos) ainda não entenderam?
6O novo-riquismo norte americano – o que são, comparativamente, os três séculos que levam de história conjunta, e os três milénios da civilização persa! – está a bater de frente, apesar da colossal diferença de potencial militar, com a resistência iraniana. Bem sabemos que o regime dos Ayatollahs é definitivamente facínora (foi capaz, dizem-no observadores independentes, de matar, em dias, 30 mil cidadãos seus que protestavam nas ruas em favor dos valores da liberdade), que os Khamenei, agora o filho depois do assassinado pai, persistem na capacidade nuclear para fins bélicos. Mas não é através de unilateralismos políticos, da atual moda da invasão de países por parte das grandes potências que se alcança o concerto das nações, a paz por que ‘todos’ anseiam.
7A economia mundial, enfrentando agora acrescidas dificuldades pela crise petrolífera resultante da guerra imposta ao Irão por um cada vez mais tresloucado Donald Trump, acolitado pelo extremismo israelita – e que generalizadamente se repercute em todo o mundo no aumento dos combustíveis, quebras bolsistas, juros altos, enfim, na degradação da qualidade de vida das populações –, continua sem antevisão próxima de rápida solução, antes se agrava com o bloqueio à navegação no estreito de Ormuz.
8Quatro anos volvidos sobre o início da segunda fase da invasão russa da Ucrânia – em verdade o conflito começou em 2014 na Crimeia e no Donbass –, ainda não foi neste inverno que os exércitos imperiais de Putin levaram de vencida, mesmo recorrendo à selvática destruição dos equipamentos energéticos, um martirizado povo que, na sua indómita vontade, a mais não aspira do que viver livre e em democracia. O contemporâneo totalitarismo soviético, também alimentado pela atual administração da Casa Branca (que entretanto até lhe levantou o embargo à venda de petróleo), continua, insanamente, a atacar populações civis enquanto, para ganhar alguns metros de avanço territorial, vê morrer a cada mês cerca de 35 mil dos seus militares, mais do dobro das baixas registadas pelo país atacado.
9A União Europeia, como se não lhe bastassem as contradições internas ditadas, designadamente, por Viktor Orbán – que, mau grado as interferências eleitorais promovidas pela Rússia do seu amigo Putin, mantém sondagens negativas em relação às próximas legislativas húngaras de 12 de abril –, vê-se agora dividida com as aparentes contradições entre a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, que defende uma mudança no posicionamento geopolítico do Velho Continente objetivando projetar o poder de forma mais assertiva, e o presidente do Conselho, António Costa, para quem a visão global da Europa é um trunfo estratégico, urgindo, assim, defender a ordem global baseada em regras, sem qualquer tolerância para as violações do direito internacional e dos direitos humanos.

