1António José Seguro foi eleito Presidente da República. Numa segunda volta onde se opunham a moderação democrática e o radicalismo populista, venceu, naturalmente, com uma esmagadora percentagem – a maior alguma vez alcançada em número de votos – , o representante do centrismo que os portugueses, de forma avisada, à esquerda ou à direita, continuam a privilegiar enquanto opção política. Veremos se os partidos mais representativos do arco fundador da democracia entendem, finalmente, a mensagem que a multidão eleitora lhes vem, reiteradamente, transmitindo…
2Não se construísse onde se construiu – e onde se continua a edificar –, não adotássemos, permanentemente, o critério do mais barato (que depois sai sempre muito caro) nas adjudicações das obras, sejam elas públicas ou particulares, e não teríamos, com certeza, o lamentável panorama que por aí vai, país além, em consequência das tempestades que nos atormentam. Uma pena esta atávica recusa de aprendermos com os ensinamentos, designadamente, de Gonçalo Ribeiro Telles.
3Portugal, descendo apenas um ponto, baixou contudo três posições no Ranking da Transparência Internacional e mantém-se, assim, como um dos piores países da Europa Ocidental. Ao obter 56 pontos no Índice de Perceção da Corrupção, caímos do 43.º para o 46.º lugar num conjunto de 182 nações. Procurando justificações na não consideração da agenda política anticorrupção entretanto aprovada – mas em cuja aplicação concreta tanto tardamos – estes permanentes deslizamentos, por pequenos que sejam, em nada nos abonam, designadamente, em termos, tão fundamental para a nossa descapitalizada economia, de investimento estrangeiro.
4A Assembleia da República aprovou na generalidade um projeto de lei que, pretendendo defender crianças e jovens no ambiente digital, prevê restrições ao uso autónomo de redes sociais por menores de 13 anos, enquanto os de idade até aos 16 o poderão fazer desde que – e receamos, no seu habitual comodismo, seja a grande maior parte deles – com consentimento dos pais ou tutores. Imediatamente contestada pelos abrangidos, também por opinadores defensores das liberdades absolutas, do “proibido proibir”, veremos até onde a sequente discussão na especialidade permitirá regular para proteger
5Retrato da atual situação política em Espanha, as antecipadas eleições regionais em Aragão ditaram uma renovada vitória do PP, mas uma maior dependência dos populares face ao crescimento do Vox, e o descalabro da esquerda, com o PSOE a conseguir, ali, o seu pior resultado sempre. Em queda nacional – agravada pela corrupção e escândalos sexuais envolvendo altas figuras socialistas – ao partido de Pedro Sánchez vale-lhe, apenas, ainda algum prestígio internacional.
6Constrangido, a nível interno, pela reação popular no Minnesota face à bestialidade do ICE, a brutal agência de imigração e fronteiras – que em muito contribuiu para a quebra de aceitação, mesmo por quadros republicanos, das políticas da nova administração americana –; confrontado, externamente, com uma forte reação da Dinamarca e da União Europeia perante a sua louca pretensão de anexar, nem que fosse através de uma intervenção armada, a Gronelândia, Donald Trump teve, em ambas as situações, de ceder (as eleições intercalares vêm aí) nos seus insanos desígnios. Mas não nos convençamos, aqui pelo que resta da civilização ocidental, que o atual inquilino da Casa Branca tem emenda. Estes foram apenas dois passos atrás para, logo que possível, dar, se lho permitirmos, três em frente nos seus propósitos ‘imperiais’…
7O Conselho Mundial que Donald Trump ‘apresentou’ no Fórum Económico de Davos – em princípio destinado a resolver o conflito israelo-palestiniano, mas depois não lhe fazendo qualquer referência direta no clausulado proposto – mais parece ser uma estrutura paralela, com dominância dos EUA e sobretudo do atual inquilino da Casa Branca, destinada a ‘substituir’ a Organização das Nações Unidas. Com convites à participação não de todos, são cada vez mais os países céticos em relação à nova instituição, desde logo a larga maioria (em verdade, só a Hungria e a Bulgária, evidentemente, já aderiram) das nações europeias. Portugal, como sempre, ainda balança entre as suas obrigações transatlânticas com os Estados Unidos e a consideração da ONU como sede fundamental de diálogo e governação multilateral.
8Depois do (internamente contestado) pacto alcançado com o Mercosul, a União Europeia, na procura de diversificação das suas relações económicas, acaba de firmar com a Índia a “mãe de todos os acordos comerciais” que elimina ou reduzirá substantivamente mais de 90% das tarifas europeias e privilegia o acesso de operadores de serviços financeiros ou marítimos do Velho Continente ao imenso mercado de Nova Deli. Este aprofundamento da relação de parceria entre as duas importantes democracias, sublinhava Ursula von der Leyen, permitirá ganhos mútuos às segunda e quarta maiores economias do mundo, constituindo-se, na presente ordem internacional em profunda mutação, num inequívoco sinal de que, no respeito do primado da parceria estratégica, do diálogo e da abertura, a cooperação é a melhor resposta aos desafios globais.
9O déspota Xi Jinping , cada vez mais senhor absoluto dos destinos da China, acaba de proceder a nova purga na Comissão Militar Central – dos seis generais nomeados em 2022, e sem qualquer substituição, resta apenas um –, agora com o afastamento de Zhang Youxia, anterior vice-presidente daquele importante órgão do PCC, e de Liu Zhenvi, chefe do estado-maior do exército popular. Acusados, pelo Ministério de Defesa Nacional, de sérias violações legais e disciplinares, tudo indicia, vá lá saber-se porquê, que os ‘acontecimentos’ são motivados mais por fatores políticos e pessoais do que por alegadas preocupações com a corrupção.

