Continuamos a nossa caminhada pascal e estamos a aproximar-nos dos momentos em que Jesus sobe para junto do Pai e envia o Seu Espírito.
Hoje, no Evangelho, encontramos, justamente, a primeira promessa que Jesus faz do Espírito. Diz-nos que, se O amamos e cumprirmos os Seus mandamentos, Ele pedirá ao Pai que nos envie o outro Paráclito, o outro Consolador, o Espírito Santo. Mas, não esqueçamos: é porque amamos o Senhor, O seguimos e cumprimos os mandamentos. Isto nos diz que o ambiente do Espírito é o amor e que, se amamos, nunca nada falhará em nós, por força do Espírito Santo.
Nós conhecemos o Espírito, porque Lhe abrimos o coração pelo amor a Cristo. Mas, quem vive para o mundo não tem lugar para o Espírito Santo e, por isso, não O conhece.
Como ouvimos no domingo passado, Jesus vai para o Pai e nós continuamos o caminho de salvação, aqui. As obras do Senhor Jesus continuam e serão sempre maiores, se acolhermos o outro Paráclito, que quer dizer advogado, aquele que é chamado para junto de alguém a fim de defender, proteger, assistir, acompanhar, consolar. Faremos as obras de Jesus e obras maiores ainda, como Ele diz, se acolhermos Aquele que vem e para que tudo aconteça. Jesus promete-nos que voltará para nós. Por isso, nunca estamos sós e veremos o Senhor. Ele está vivo e nós viveremos também. E estando em Cristo, estamos no Pai e verdadeiramente amados. Vai chegar, então, o tempo do Espírito, pelo Qual continuamos as obras do Senhor. Ele nos capacita para anunciar Jesus ressuscitado e vivo a todos.
A leitura dos Actos dos Apóstolos diz-nos que a pregação, o anúncio de Cristo não conhece fronteiras e havemos de levar Jesus a todos os corações. Filipe anunciou Jesus aos samaritanos e, no meio deles, realizou milagres e curas, em nome do Senhor, que levaram muitos a acreditar e a professar a sua fé em Cristo. E isto, diz-nos a leitura, trouxe grande alegria a todos, porque é isso que Jesus traz às nossas vidas. E, depois, Pedro e João comunicaram-lhes o Espírito Santo. É assim que a Igreja cresce e se faz sacramento de salvação para muitos. E isto faz-nos pensar, também, no quão importante é o sacramento do Crisma, em que recebemos o Espírito Santo.
Somos convidados, por isso, a confessar e professar a nossa fé, a dizer que Jesus é o Senhor e a estarmos sempre dispostos a mostrar a razão da nossa esperança, como ouvimos na primeira epístola de São Pedro. Somos chamados a testemunhar que Cristo nos salva e nos envia o Seu Espírito, para que possamos conhecer e anunciar toda a verdade e viver. Tudo isto passa por vivermos na pureza e na bondade, buscando a santidade no quotidiano, para que Cristo possa ser, inequivocamente, reconhecido em nós. Por isso, nunca deixemos de pôr o bem em primeiro lugar. Recordemos o que nos diz São Pedro: “É melhor padecer por fazer o bem, se essa é a vontade de Deus, do que por fazer o mal.” Sejamos bons, como Jesus, que veio para, de uma vez por todas, nos conduzir ao Pai.
Deixemos, também, ecoar, no nosso coração, o que rezámos no Salmo. Deus é o único digno de todo o louvor, de toda a adoração e toda a terra, todos os homens e mulheres, cada um de nós, de todos os tempos e lugares, O devemos aclamar e bendizer, provocando este louvor no mundo, na comunidade, na família. Tudo o que o Senhor faz é bem feito. Por isso, sempre devemos estar próximos d’Ele, no louvor, na confiança, no abandono, para fazermos tudo bem feito e de forma admirável, como Ele. Ponhamos a nossa alegria no Senhor, sempre, trazendo nos lábios o sorriso de Deus e deixando que Ele nos faça felizes. Sorrir, viver na alegria. Só Deus sabe o quanto os nossos lares, os nossos locais de trabalho, as nossas comunidades, a nossa sociedade, o mundo precisam disso.
E o que queremos nós deste mundo? Que procuramos nós? O que é que nos completa, nos traz paz e nos deixa bem? Por mais que procuremos, só no Senhor encontramos toda a plenitude e a plenitude de todas as coisas. Foi Ele Quem nos salvou e abriu as portas da Vida. Que encontraremos nós, aqui, que seja mais do que isto? Nada.
Durante a nossa vida, no nosso caminho de fé, sempre o Senhor nos vai pondo à prova, para que tentemos e possamos purificar o nosso coração e a nossa intenção. Põe-nos à prova, mas acompanha-nos, dando-nos espaço para discernir, decidir e ir com Ele. O Senhor faz-nos verdadeiramente livres e dá-nos a vida.
Que a nossa boca nunca se cale e que testemunhemos sempre todo o bem que Deus faz em nós, por nós e através de nós, porque Ele derrama a Sua graça, os Seus dons, as bênçãos sobre aqueles que se voltam para Ele, confiam e Lhe abrem o coração. Que nunca calemos o nosso louvor, a nossa gratidão, o nosso amor.

