As leituras deste domingo apresentam o convite de Deus a toda a humanidade para assumirem, como próprio, o projeto do Reino dos Céus. Convida-nos a realizar, em liberdade e sinceridade, uma maneira nova de ser homem e mulher, de ser criação e sociedade. «Vou fazer de ti a luz das nações». O texto da primeira leitura faz parte do segundo Cântico do Servo de Deus. Nele exprime-se a identidade do povo de Israel como servidor do amor de Deus a toda a terra.
Este Israel, aqui mencionado, não representa a totalidade do povo de Deus, mas sim, talvez, se refira àquela pequenina comunidade de crentes, desterrada na Babilónia. Esse grupo reduzido que ainda mantém viva a esperança e a fé em Deus. Esse grupo que, apesar de estar longe de sua terra, mantém a sua confiança que Deus trará a salvação a todo o povo de Israel e ao mundo inteiro. Acredita que Deus colocou os seus olhos nesta porção de povo e lhe confiou a missão de comunicar a toda a criação o desejo mais profundo de Deus: salvar a todos sem exceção.
Este cântico assinala ainda uma grande diferença em relação à compreensão da salvação prometida por Deus a Israel; sendo o tempo do exílio, o profeta anuncia uma salvação para todas as nações e não unicamente para o povo de Israel como se poderia pensar.
Também o Apóstolo Paulo inicia a sua carta a confirmar esta universalidade do Reino de Deus; expressa claramente que a mensagem de salvação oferecida por Deus em Jesus Cristo Seu Filho é para todos os que, em qualquer lugar e tempo invocam o nome do Senhor Jesus Cristo. Podemos compreender esta mensagem universal, pela maneira solene como Paulo escreve à Igreja de Deus em Corinto, ao referir-se à única e universal Igreja de Cristo, que se faz historicamente presente nos cristãos da comunidade de Corinto. «Paulo Apóstolo de Cristo Jesus, à Igreja de Deus que está em Corinto, aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados à santidade, com todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso».
Ainda que Paulo tenha escrito de maneira particular a uma comunidade, neste caso Corinto, a sua mensagem ultrapassa os limites do espaço e do tempo, adquirindo em todo o momento a atualidade e a relevância da mensagem de salvação universal, pois é uma Palavra dirigia à humanidade inteira e não a um grupo particular. Todos os homens e mulheres recebem a graça de ser filhos de Deus, por meio de Jesus; fomos consagrados por Deus para realizar em nossas vidas a “vocação à santidade”, que em nossa linguagem corresponde à “missão” de tornar presente, aqui e agora, o reino de Deus: fazer deste mundo um lugar mais justo e mais solidário, menos violento, mais livre e mais fraterno.
Quem assume como modo normal de vida este horizonte libertador, está a invocar o nome de Jesus. O evangelho de João manifesta a universalidade da salvação de Deus por meio da vida e missão de Jesus de Nazaré, como cordeiro de Deus, que se sacrifica e entrega, obedientemente à vontade do Pai, para salvar da morte do pecado toda a Humanidade.
«Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Era d’Ele que eu dizia: “Depois de mim virá um homem, que passou à minha frente, porque existia antes de mim”. Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e repousar sobre Ele.»
Jesus é o enviado do Pai, ungido pelo Espírito de Deus, o servidor de Deus de que fala o profeta Isaías e que tem como especial missão estabelecer no mundo a justiça do reino. Jesus é quem verdadeiramente traz a salvação de Deus à humanidade. João Baptista já tinha compreendido a sua própria missão e a missão de Jesus.
Por tal razão o profeta do deserto diz que atrás dele vem um que é mais importante do que ele, pois o que vem é o Messias, Palavra nova de Deus para o mundo. João Baptista reconhece Jesus como o Filho de Deus, por isso dá testemunho d’Ele.
É urgente hoje falarmos da novidade da Salvação apresentado por Jesus Cristo e do Reino de Deus, aos homens e mulheres de boa vontade, com a força própria que a notícia de Deus tem em si. Urge experimentar a alegria e a novidade de Deus na nossa vida para a podermos contagiar no mundo em que vivemos. Não podemos falar de Jesus sem entusiasmo e sem vida senão não estamos a falar do futuro e da salvação, mas de um passado longínquo.«Vou fazer de ti a luz das nações», diz-nos o profeta Isaías e Jesus quando no Evangelho nos diz: vós sois a luz do mundo e ainda: “Eu Sou a Luz do mundo.” É d’Ele que temos de dar testemunho acolhendo-o como amor que nos limpa e salva da morte para podermos viver para sempre em Deus no Reino dos Céus. A promessa de Jesus mantém-se atual: “Àqueles que O receberam deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus”.

