O «desafio de replicar encontros sinodais na diocese»

O diácono Francisco Gil, representante dos diáconos no Conselho Pastoral Diocesano de Coimbra, partilhou o ambiente de comunhão vivido no encontro nacional sinodal, as diferentes velocidades que notou, em que a Diocese de Coimbra segue no “grupo da frente”. Para este responsável, o caminho da escuta e da espiritualidade são apostas e a sinodalidade é “um caminho sem retorno”.
Francisco, não esteve presente no primeiro encontro, mas acompanhou o processo de perto. Como foi chegar a este encontro nacional e que ambiente encontrou?
É verdade, não estive no primeiro, mas tive os ecos através do Luís Marques e das conversas que tivemos no nosso Conselho Pastoral Diocesano. No entanto, participar ao nível nacional é uma experiência que só vivendo se percebe. Já conhecia o método da “conversação no Espírito” aqui na Diocese, mas no Encontro Nacional temos um panorama do país inteiro. Encontrei uma adesão muito interessante: grupos entusiastas, outros mais ponderados, mas todos muito participativos. Foi marcante ver a presença de praticamente todos os bispos de Portugal, sentados nos grupos e a participar na reflexão como todos os outros.
No seu grupo de trabalho, que diversidade encontrou?
O grupo era muito diversificado, o que foi uma grande riqueza. Tinha pessoas de Lisboa, Setúbal, Algarve, Leiria-Fátima, Angra e Braga e também da Pastoral Universitária. Eu representava Coimbra. Esta distribuição permitiu perceber que, embora as dioceses caminhem a velocidades diferentes, os desafios são comuns. Naquela manhã, após as intervenções assertivas de D. José Ornelas e do nosso Bispo, D. Virgílio Antunes, cada diocese fez um resumo da sua realidade e isso espelhou-se depois nas discussões de grupo.

Falou em “velocidades diferentes”, onde se situa a Diocese de Coimbra?
Pelo que ouvi, diria que Coimbra segue no “grupo da frente”. E digo isto porque há um empenho muito grande do nosso Bispo e dos conselhos pastorais. Claro que há sítios onde o ritmo ainda é lento, muitas vezes por dificuldades demográficas ou por falta de pessoas disponíveis para as equipas de animação pastoral. Não senti que fôssemos os pioneiros nesse sentido, mas em conjunto com algumas dioceses, o caminho que estamos a fazer em Coimbra é muito consistente. Como dizia o nosso Bispo, este é um processo sem retorno, desde que não nos deixemos ficar apenas pelo “método”.
Diria que Coimbra segue no “grupo da frente”. E digo isto porque há um empenho muito grande do nosso Bispo e dos conselhos pastorais.
Diácono Francisco Gil
A sinodalidade veio trazer o método mas não se pode esgotar aí…
Exatamente. O método ajuda, mas se não houver uma abertura espiritual e uma partilha verdadeira, não funciona. O foco na espiritualidade, que o D. Virgílio tem sublinhado, é o âmago de tudo. Sem isso, não passamos do planeamento. Saímos destes encontros com ideias, mas o desafio é a execução prática nas paróquias e unidades pastorais.

Saímos destes encontros com ideias, mas o desafio é a execução prática nas paróquias e unidades pastorais.
Diácono Francisco Gil
Que ideias práticas trouxe deste Encontro Nacional para aplicar em Coimbra?
Uma das coisas que me inspirou muito foi a possibilidade de replicarmos estes encontros sinodais entre arciprestados, dentro da nossa própria Diocese. Outro ponto vital é a criação de redes de comunicação e acolhimento. Falou-se muito da mobilidade: hoje as famílias e os jovens mudam muito de localidade. Se um jovem sai da Pampilhosa da Serra para estudar em Aveiro ou Coimbra, precisamos de uma rede que o acolha no destino. O Bispo do Algarve deu um exemplo muito bonito de como um simples telefonema pessoal para um pároco pode fazer a diferença no acolhimento de alguém, que chega de novo.
O “acolhimento” e a “escuta” são palavras-chave?
Sem dúvida. Escuta, olhos nos olhos. Em Leiria-Fátima, por exemplo, têm pontos de escuta só para ouvir as pessoas. Precisamos de envolver os leigos nisto, para que o atendimento na Igreja não seja apenas “de cartório” ou para confissões, mas um lugar onde alguém está disponível apenas para ouvir, tanto os crentes como os que vêm de fora, por ocasião de um batizado ou de um funeral, como acompanho muito.

Que outros desafios identificou como prioritários?
Destacaria dois desafios: a participação ativa e a formação. Ainda há resistências à participação nas decisões em alguns órgãos consultivos. E a formação é fundamental. Precisamos de introduzir o cunho da sinodalidade nos seminários, nas escolas de teologia e na formação de catequistas. Não basta falar teoricamente; quem dirige grupos ou paróquias tem de estar treinado nesta metodologia de envolvimento. Como dizia o documento conclusivo do encontro: cada um tem de perceber o dom que tem para por a render, esse é o caminho.
Precisamos de introduzir o cunho da sinodalidade nos seminários, nas escolas de teologia e na formação de catequistas.
Diácono Francisco Gil

De Coimbra estiveram 12 pessoas no encontro nacional sinodal, o Bispo Diocesano, D. Virgílio Antunes e o padre Filipe Diniz, pelo DNPJ.
Pela equipa sinodal diocesana: o padre Carvalheiro, Carlos Neves, Graça Ferrão e Elda Calado.
Pelo Conselho Pastoral Diocesano: o Diácono Francisco Gil, Maria do Rosário Oliveira, Ana Lavrador, Ricardo Mota, Daniel Carvalho e Luís Marques.

