O Pároco da Unidade Pastoral de Montemor-o-Velho, padre Carlos Godinho, partilhou com o Correio de Coimbra que já foi num transporte anfíbio para estar e celebrar com as comunidades, que têm “vivido dias difíceis mas com muita resiliência”.
O sacerdote refere que “as pessoas estão habituadas com ciclo de cheias, com experiências do passado”, uma “realidade que mexe com a memória afetiva de muitos e isso traz inquietação”.
“Mas as pessoas têm uma grande resiliência e, ao mesmo tempo, uma grande facilidade neste contexto em que estamos, as cheias têm sido controladas, temos tido um belíssimo serviço por parte da proteção civil, da autoridade local e da autarquia”, destaca.
O padre Carlos Godinho é pároco desta Unidade Pastoral há cerca de cinco anos e, desta vez, teve mesmo de recorrer ao transporte militar para ir ter com as comunidades.
“Sou pároco de sete paróquias, entre elas a Ereira, uma quase paróquia, que está isolada há mais de uma semana, neste momento parece uma verdadeira ilha”, lamenta.
“Depois tenho as quatro paróquias mais a sul, onde tenho dificuldade de me deslocar, e fui como as outras pessoas, no camião militar, e agora com transporte anfíbio, que está a fazer a deslocação das pessoas”, refere.
Já foi para celebrar Eucaristia e, para a Abrunheira, teve de lá ir “fazer duas exéquias fúnebres”.
“Fui vendo o subir das águas, e vi um trabalho muito cuidadoso por parte dos militares também, um serviço que tem sido muito importante para a população”, destaca.
O padre Carlos Godinho considera que estas deslocações até às comunidades são de “grande importância, para ir acompanhando todos”.
“Tentei estar com as pessoas, visitar o centro social da Ereira, ser próximo. Agora vou acompanhando pelo telefone, falo todos os dias com alguém das comunidades e vou sabendo como as coisas vão evoluindo”, explica.
Olhando o fim de semana, o sacerdote prevê que “ainda não seja possível celebrar Eucaristia em todas as comunidades” e publicou na rede social da Unidade Pastoral uma mensagem sobre o “valor da comunhão espiritual, apelando à oração de todos e por todos”.
“As pessoas pedem sobretudo, por exemplo, que Deus nos dê tempos mais tranquilos, que se estabeleça aqui a tranquilidade e se retome o normal da vida. Juntos, com a oração, vamos caminhando juntos”, reforça.
A Unidade Pastoral de Montemor-o-Velho é composta pelas comunidades de Abrunheira, Carapinheira, Ereira, Montemor-o-Velho, Reveles, Verride e Vila Nova da Barca.
O Município de Montemor emitiu uma nota alertando para as previsões destes dias.
“A precipitação prevista, associada aos níveis já elevados na bacia e de volume de água na barragem da Aguieira, poderá provocar um aumento muito significativo dos caudais, exigindo máxima vigilância e prudência”, refere a autarquia do Baixo Mondego.
De acordo com a atualização, a Barragem da Aguieira “encontra-se atualmente a cerca de 90% da sua capacidade” e o “caudal no Açude-Ponte, em Coimbra, situa-se nos 1.740 m³/s”.
Segundo a autarquia montemorense, de acordo “com os cenários técnicos projetados, os caudais podem atingir valores entre 2.500 e 3.000 m³/s, ultrapassando o limiar de referência da obra hidroagrícola”.
A autarquia relembra que as vias “de comunicação no concelho encontram-se fortemente condicionadas, com vários cortes e constrangimentos”.



