A Capela de São Miguel, na Universidade de Coimbra, recebeu, esta terça-feira, a terceira sessão do ciclo “As entrelinhas nos textos de Mateus” com o Professor Frederico Lourenço, que sugeriu uma “nova tradução da oração do Pai Nosso”.
“Em Mateus temos o paradoxo de uma aparente aceitação na totalidade, em paralelo com frases que cumulativamente funcionam como refutação de muitos aspetos da Lei judaica”, disse Frederico Lourenço, como revela nota enviada ao Correio de Coimbra.
A partir do discurso da montanha, que ocupa no Evangelho de Mateus os capítulos 5 a 7, o docente acentuou a relação paradoxal de Jesus com a Lei judaica, presente fortemente no segmento textual em reflexão.
Passando por temáticas como o divórcio e o perdão, a reflexão oferecida pelo Professor catedrático da Universidade de Coimbra, “questionou ainda algumas traduções dos textos das bem-aventuranças e do Pai-nosso, oferecendo aos presentes alternativas que aproximem a tradução do sentido original”.
Considerando a importância do Pai-nosso na vida dos cristãos, Frederico Lourenço questionou expressões presentes na tradução oficial portuguesa como ‘perdoai-nos as nossas ofensas’ ou ‘não nos deixeis cair em tentação’: “o que pedimos em português é que Deus perdoe as nossas ‘ofensas’, palavra que não está nem em Mateus nem em Lucas. Se o rezássemos segundo o texto de Mateus, pediríamos para Deus perdoar as nossas dívidas. E a verdade é que nem Mateus nem Lucas falam em tentação. Falam em provação.”
Apresentada a pertinência de uma nova tradução, Frederico Lourenço ofereceu aos presentes uma paráfrase original do Pai nosso, atendendo ao conteúdo semântico e teológico do texto original e à intencionalidade do redator:
““Pai nosso, que estás nos céus; seja santificado o Teu nome. Venha o Teu reino. Seja feita a Tua vontade: tal como no céu, também assim na terra. Dá-nos hoje o nosso pão de amanhã; e perdoa as nossas dívidas, tal como nos já perdoámos aos nossos devedores. E não nos leves <como fizeste aos israelitas no Antigo Testamento> para a provação de termos de escolher entre Ti e aquilo que se Te opõe, mas livra-nos do mal <que consiste no proveito próprio em detrimento do Bem que és Tu, Pai nosso>’”, acrescenta.
A próxima e última sessão deste ciclo de encontros será no dia 9 de junho, às 18h00, na Capela de São Miguel, com entrada livre.

