A Comissão Justiça e Paz Europa (CJPE) manifestou a sua profunda preocupação com a atual espiral de violência no Irão e no Médio Oriente, apelando ao fim da escalada de violência e ao regresso do diálogo.
“Nenhum país, por mais poderoso que seja, deve colocar-se acima dos princípios fundamentais do direito internacional e da Carta das Nações Unidas. As ameaças mútuas e o uso de armas nunca podem constituir uma solução duradoura para os conflitos”, assinala a declaração assinada pelos copresidentes Antoine Hérouard e Maria Hammershoy.
O organismo católico deixa um aviso sobre as consequências humanitárias e geopolíticas do conflito.
“Temos particularmente no coração as populações afetadas no Irão e em toda a região, que agora passam por mais uma provação, após anos de tribulação e angústia”, refere o documento.
A CJPE sublinhou que a troca de ameaças bélicas aprofunda o ressentimento e o ódio, desestabilizando regiões inteiras e corroendo a segurança global.
“Perante uma tragédia de proporções imensas, a atual escalada reflete uma lógica de confronto que domina cada vez mais a política global, em vez da adesão aos princípios da legítima defesa”, declaram os responsáveis europeus.
A declaração associou-se às preocupações manifestadas recentemente pelo Papa Leão XIV, que pediu fim da espiral de violência e o regresso ao diálogo.
A organização católica lançou um apelo direto à União Europeia para que promova esforços conjuntos que garantam o respeito pelo direito internacional humanitário.
“O bem das pessoas, aquelas que vivem no Médio Oriente, aquelas que lá se encontram temporariamente e todas as que sofrem as consequências mais amplas deste conflito, deve prevalecer sobre todas as considerações políticas, estratégicas ou económicas”, defende a CJPE.
A nota foi divulgada num contexto de agudização das tensões regionais, marcado pelos ataques lançados este sábado por EUA e Israel contra o Irão, seguidos de represálias iranianas.
A organização humanitária Crescente Vermelho iraniano confirmou a morte de pelo menos 555 pessoas.
Perante este cenário, a Justiça e Paz Europa deixou um apelo à oração pela paz, inspirado nas palavras de Leão XIV, pedindo “uma paz que seja simultaneamente desarmada e desarmante, capaz de tocar os corações daqueles a quem foi confiada a responsabilidade pelo bem comum”.
(Com Agência Ecclesia)

