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Igreja Diocesana de Coimbra

Enfoque CC 5068 – 28 maio 2026
– D. Virgílio Antunes

D. Virgílio Antunes - Enfoque

Todos os dias agradecemos a Deus a fé cristã. Ela é um dom que nós não podíamos construir sozinhos e que não somos capazes de viver sem o auxílio da graça divina, que nos inspira e fortalece. Quando dizemos “obrigado, Senhor, porque sou cristão”, “obrigado, Senhor, pela fé que me deste”, estamos a renovar o desejo de continuar firmes nesse caminho de amor e a reconhecer que nos sentimos felizes por Deus estar na nossa vida.

Agradecemos igualmente a Deus por pertencermos à Igreja Católica. Quando nos últimos tempos acompanhei algumas pessoas adultas a celebrar os sacramentos da Iniciação Cristã (o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia), senti de novo muito forte o que é o amor à Igreja, que nos acolhe como mãe e como casa de família. Do mesmo modo, quando em nome da Igreja acolhi algumas pessoas vindas de outras Igrejas Cristãs na Comunhão da Igreja Católica, reforcei a alegria de estar na comunidade cristã, que é Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo, Casa de Comunhão.

Acreditamos que a Igreja Diocesana de Coimbra é verdadeira Igreja de Deus, que participa de toda a riqueza da Igreja fundada por Jesus como Sinal da Salvação que Ele oferece a todos os povos. Na Igreja de Coimbra de que todos nós somos membros pelo Batismo, subsiste a Igreja de Deus, pois nesta porção do Povo de Deus há um povo de batizados em nome da Santíssima Trindade, recebemos a Sagrada Escritura como Revelação, celebramos os sacramentos como Jesus os instituiu e nos mandou celebrar, reunimos a assembleia para o momento mais alto da sua vida na Eucaristia, seguimos a orientação da Tradição Cristã, e a presença do Bispo em comunhão como o Sucessor de S. Pedro, assegura-nos a condição de Igreja Apostólica.

Gostaríamos que a celebração do Dia da Igreja Diocesana no Domingo da Santíssima Trindade, nos ajudasse a aprofundar o sentido da nossa pertença à comunidade, Corpo de Cristo, (dimensão teológica), mas também à comunidade local de pessoas que habitam na mesma localidade (dimensão social) e se reúnem no mesmo templo para orar, celebrar e evangelizar. A ligação afetiva em relação a Deus manifesta-se no amor que Lhe retribuímos; em relação à Igreja, manifesta-se no amor aos irmãos que partilham a mesma fé e no amor à comunidade organizada e com todas as suas estruturas orientadas para a sua missão.

O Caminho Sinodal que a Igreja está a fazer nos últimos anos propõe-nos que levemos por diante uma renovação da fé, da vida comunitária e do modo como assumimos a nossa missão na Igreja e no mundo. As três palavras orientadoras, comunhão, participação e missão, traçam as linhas fundamentais da atitude ativa que devem ter todos os filhos da Igreja. É fundamental o caminho de renovação da fé, que nos oferece uma relação mais profunda com Deus; a fé cristã tem como lugar natural de crescimento e amadurecimento a vida na comunidade que se reúne para celebrar os mistérios da salvação; a participação ativa de todos em atitude de corresponsabilidade é uma graça cada vez mais compreendida; a missão de anunciar a Boa Nova de Cristo Salvador é o nosso lema de sempre e para sempre.

A Igreja Diocesana de Coimbra está decidida a continuar pelos caminhos da renovação espiritual e a encontrar os meios organizativos mais adequados para realizar a sua missão. Temos algumas debilidades que desejamos conhecer ainda melhor a fim de discernirmos todos juntos por onde ir: inadequação de estruturas institucionais, paroquiais e sociais; número e lugar das celebrações dominicais; distribuição do clero pelas unidades pastorais e a sua missão concreta na relação com as comunidades; condições e modelos de funcionamento das catequeses; modalidade de celebração das festas cristãs; lugar dos ministérios laicais na vida das comunidades; a pastoral da comunicação na Diocese e nas Unidades Pastorais; a pastoral da vocações sacerdotais e a formação do clero.

Convido todos os irmãos e irmãs desta nossa Diocese de Coimbra a unirem-se na oração pela Igreja a que pertencemos, a fim de que se deixe guiar pelo Espírito Santo na reflexão em ordem ao discernimento dos caminhos do futuro.

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