O calendário assinalou, há uns dias, o Dia Internacional da Mulher. No entanto, para um olhar cristão e atento à justiça social, esta data não pode ser um destino, mas sim um ponto de partida. Como bem nos recorda a mensagem do Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos (MMTC) para este ano de 2026, a homenagem às mulheres deve ser traduzida em ações concretas que combatam as “condições de trabalho injustas, a discriminação e a violência” que ainda persistem em tantas latitudes.
A autonomia e a resiliência femininas não são conquistas do passado, mas batalhas do presente. Lembrar a mulher apenas um dia por ano é ignorar que a estrutura do mundo se apoia, todos os dias, nesta “dedicação e amor” que tantas vezes permanece invisível.
Neste caminho da Quaresma, a reflexão ganha uma profundidade maior ao contemplarmos a imagem de Maria. Ela não é apenas uma figura do passado, mas a imagem da mulher forte, daquela que soube dizer “Sim” a um projeto que mudaria a História, sem ignorar as dores e as incertezas do caminho. Maria, aos pés da Cruz e na alegria da Ressurreição, ensina-nos que a dignidade da mulher é intrínseca e sagrada.
“Com Maria aos pés da cruz”, Jo 19, 25-27, é o foco do Grande Plano desta semana. Um convite à leitura da nova obra do padre João Paulo Fernandes, da diocese de Coimbra. Maria Eugénia Jardim fez a revisão e contou ao Correio de Coimbra o “mergulho” na leitura do livro, as inquietações que teve e as aprendizagens que alcançou. O livro, com mais de 400 páginas, “não é de leitura rápida”, e acho que também não há essa pretensão quando se trata de uma leitura para reflexão, num tempo tão especial como a Quaresma.
A entrevista mostra bem que nasceu de uma conversa entre duas mulheres, mães, que, com o “livro em mãos”, tornou fácil o entendimento da maternidade e a grandeza da figura de Maria, de pé, junto à cruz.
Das inquietações passámos aos encontros que vamos tendo no quotidiano. Nesta semana aponto aos leitores um encontro especial: o bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, vai ao encontro de todos através de um diálogo online, no próximo dia 17 de março, pelas 21h30, transmitido pelo Youtube da diocese. O tema é a “Reconciliação” e eu estarei a fazer questões que, espero, nos levem ao sacramento, à reflexão e aos encontros que cada um precisa.
Estes desafios e também estes encontros podem ser formas de “caminhar em conjunto”, em comunidade, em diocese e em Igreja, acolhendo a diversidade e construindo a unidade; que estes encontros que inquietam sejam, afinal, o motor de transformação nesta Quaresma.

