Recorda-nos o texto da primeira leitura como o povo de Israel, depois de ter sido libertado do Egipto, fatigado por causa da caminhada pelo deserto, começa a exigir a Moisés água para matar a sua sede. E surge o pensamento: não seria melhor termos ficado no Egipto? Aí, apesar de esmagados pelo trabalho, apesar da condição de escravos, pelo menos sempre havia água e pão!
Esta experiência do povo de Deus diz-nos que nem sempre são fáceis os caminhos da libertação, os caminhos da liberdade, os caminhos da procura da felicidade. E, sobretudo, diz-nos que no seu percurso é sempre grande a tentação de desanimar e de desistir perante as dificuldades. Contudo, uma verdade prevalece: mesmo no meio do desânimo e da revolta, Deus continua a estar presente. Deus não abandona o seu povo. Ele continua a ser a fonte onde saciar as sedes mais profundas.
Também em Jesus há a experiência do cansaço, da fadiga e da sede. Contudo, é essa mesma experiência, traduzida no pedido feito à mulher samaritana («Dá-me de beber!»), que dá início, no evangelho, a um bonito diálogo sobre a sede mais profunda que há em cada pessoa, a sede de bem, de paz, de felicidade. Uma sede que só a água viva pode matar. E se, a princípio, aquela mulher surge admirada e receosa, vemos que à medida que o diálogo se desenrola, a sua confiança e a sua fé vão crescendo. Como são maravilhosas para ela as Palavras que ela escuta de Jesus. Ele conhece a sua vida, as suas dores, os seus pecados. Contudo, e apesar disso, não a condena: acolhe-a, perdoa-lhe, desafia-a a caminhar em frente.
Por isso, pouco a pouco, aquela mulher vai abrindo o segredo da sua vida ao Senhor. Pouco a pouco ela deixa de conversar acerca da água física, da água do poço, para falar das suas inquietações. Tem a certeza de que aquele homem não é um viajante qualquer. Ele é a Fonte de Água Viva. Daí a samaritana pedir a Jesus: «dá-me dessa Água».
Encantada com tudo o que ouve, aquela mulher sabe saborear o dom que lhe é dado. Por isso, deseja ir mais longe e quer saber onde se deve adorar Deus e, naturalmente, o mais importante, como se deve adorar.
Esta ânsia de descobrir Deus vai tornar aquela mulher numa evangelizadora dos seus irmãos. Ela não só reconhece os seus pecados e transforma a sua vida, como corre a contar aos outros o que lhe aconteceu. A todos ela vai levar a notícia de que há um peregrino que é capaz de entender os corações despedaçados e de lhes dar esperança, de lhes matar a sede de paz e de encontro com Deus.
Como podemos dar conta, esta mulher insatisfeita, que procura um caminho para a sua vida, aparece sempre sem nome. Poderíamos dizer que ela nos representa a todos nós enquanto pessoas à procura de uma vida diferente, de uma vida com sentido, no fundo, à procura de Deus… à procura dessa fonte de água viva que nos preencha e enriqueça interiormente.

