A oportunidade de celebrar as bodas de ouro matrimoniais, de um casal, foi ocasião para aprofundar a beleza e a riqueza do casamento na família cristã. Primeiramente, o casal aniversariante, que solicitou a celebração da Eucaristia, foi interpelado para a grande graça de começar pela preparação, com a celebração do sacramento da Reconciliação. O verdadeiro fruto está em não se contentar com o pedido duma Missa, mas vivê-la por dentro. Assim se pôde experimentar a verdadeira vivência de amor, como nos anunciou a 1ª carta de S. João. Mas também o evangelho nos permitiu mergulhar na dimensão duma só carne, entre marido e esposa, com compromisso para toda a vida, para que “não separe o homem o que Deus uniu”.
O momento simbólico, de renovar os compromissos matrimoniais, teve a troca de alianças com a densidade do silêncio, porque o que devia ser dito foi há cinquenta anos, e continua válido, pelo que não há nada mais a acrescentar, e agora o que importa é documentar, que o amor frutificou, e se espelha na participação da família, que foi chamada a apreender, e seguir o exemplo, nomeadamente os netos, que traziam as alianças.
Um terceiro ponto de reflexão ocorreu na homilia, para lembrar a todos que não foi o senhor Padre Aurélio que casou os noivos, e o sacerdote que presidiu à celebração acrescentou: “eu nunca casei ninguém na minha vida pastoral”. Quem se casa são os noivos, que assumem participar na primeira pessoa. Na base de tudo, está sempre o Batismo, com o sacerdócio comum dos fiéis, que nos faz participar no único e perfeito sacerdócio de Jesus Cristo. Além disso, para lá de outros frutos, nasceu uma nova Igreja – uma Igreja Doméstica, como lhe chamou o Concílio Vaticano II. É uma forma específica de participar na dimensão eclesial diocesana e paroquial, as que mais diretamente nos identificam. Para nos assumirmos como verdadeira família cristã, essa identificação deveria começar pela base, como autêntica Igreja Doméstica.
Unimo-nos à ação de graças do casal António da Costa Tomé e Maria Isabel de Carvalho Bebiano, que celebrou o cinquentenário do seu matrimónio, no dia 16 de maio, na igreja matriz de Castanheira de Pera, onde o casamento se realizou há cinquenta anos. A residência é no lugar do Amial, têm um filho e uma filha, e quatro netos. Ele foi motorista e ela exerceu as funções de monitora na Cercicaper.
Parabéns pelo aniversário, e que o Senhor os cumule das melhores bênçãos.

