D. Virgílio Antunes afirmou que o consistório convocado pelo Papa para junho e a reunião dos presidentes das conferências episcopais, em outubro, confirmam a prioridade da sinodalidade e da família para Leão XIV, que não quer a Igreja “fechada”.
O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) disse que a “Igreja não pode ficar parada nem fechada” aos indicadores da sociedade, e “não se pode isolar na norma”, nomeadamente nas questões da Pastoral Familiar.
“A norma é necessária, a norma existe, o Direito Canónico também está publicado e é para se pôr em prática, é para se cumprir, mas o Evangelho ainda está antes da norma”, afirmou.
Questionado sobre a realização do encontro por iniciativa do Papa Leão XIV, que convocou todos os presidentes das conferências episcopais para assinalar, no próximo mês de outubro, a publicação da exortação pós-sinodal do Papa Francisco sobre a família “Amoris Laetitia”, D. Virgílio Antunes disse que o objetivo é “desenvolver, pôr em prática, dar continuidade” ao “belo documento” publicado há 10 anos.
“As famílias têm alegrias muito grandes e têm desafios, mas também têm dificuldades, têm transtornos… E a Igreja não pode deixar de estar atenta àquilo que são as famílias, nos dias de hoje, para lhes anunciar o Evangelho, para lhes ajudar a crescer, do ponto de vista ético e moral e para abrir horizontes, mas com as famílias”.
Na entrevista, no contexto do início de mandato como presidente da CEP, D. Virgílio Antunes disse que a opção do Papa Leão XIV de dar continuidade ao pontificado do Papa Francisco é “uma belíssima ideia”, nomeadamente a concretização da vivência sinodal na Igreja Católica, de que é exemplo a realização do consistório, no próximo mês de junho, que o atual Papa quer realizar anualmente.
“É uma atitude plenamente sinodal, em conformidade com o espírito sinodal. O Papa Francisco tinha ensaiado já aquele grupo de cardeais que o assessorava na reflexão. Agora o Papa Leão, que também esteve no sínodo e que, portanto, está imbuído do mesmo espírito, da mesma visão da Igreja, alargou, e alargou de uma forma que eu acho que é muitíssimo mais produtiva, que envolve muito mais pessoas”, afirmou.
Sobre a sinodalidade, o presidente da CEP valorizou o facto de ter participado nas assembleias sinodais, no Vaticano, disse que “há muitíssimo trabalho feito” em Portugal, mas não é possível concluir que esteja já tudo realizado nem que é tempo de “esperar os frutos”.
“Não nos esqueçamos que isto da sinodalidade não é uma técnica, não é uma tática, não é uma estrutura, mas é sobretudo um espírito que se absorve, que se desenvolve e que nos leva a queremos ser Igreja tal como está a ser definida na sua concretização real nos nossos dias”.
D. Virgílio Antunes, que é bispo de Coimbra, exemplificou com o que acontece na sua diocese, onde foram criadas unidades pastorais com a participação de leigos, jovens, diáconos e sacerdotes que “refletem juntos, que rezam juntos e que programam juntos e que vão definindo os passos a dar em cada um destes lugares, por cada uma destas comunidades em conjunto”.
O presidente da CEP confirmou o convite dirigido ao Papa Leão XIV para visitar Portugal em 2027, quando se assinalam os 110 anos das aparições, em Fátima.
(Com Agência Ecclesia)

