“Fazei tudo o que Ele vos disser”
Foi com muito ânimo que o nosso grupo de 66 Peregrinos participaram na Peregrinação deste ano, cujo lema coincide com o lema proposto pela nossa Diocese de Coimbra.
Cada um foi convidado a fazer a sua meditação, o seu caminho pessoal.
E que possam regressar de Fátima com mais fé e amor ao Senhor!
Pedimos à nossa comunidade para rezarem por todos os peregrinos que rumaram até ao Santuário de Fátima!
No final, o esforço recompensou com a alegria de terem participado nesta experiência de esforço coletivo e de muita entreajuda e amor fraterno.
Partilhamos um testemunho de uma Peregrina:
Obrigada a todos que colaboraram, participaram, acompanharam e rezaram por nós!
“Nesta a peregrinação parti com a sensação de já conhecer o caminho. Mas, mais uma vez, o caminho mostrou-me que não se repete, aprofunda-se.
A dor esteve presente desde cedo. Nos pés que ardem, nas pernas que pesam, no corpo que vai perdendo a leveza a cada quilómetro. Mas este ano a dor já não me surpreendeu, foi mais familiar, quase silenciosa. Em vez de lutar contra ela, aprendi a caminhar com ela.
O cansaço foi-se acumulando devagar, como uma sombra constante. Havia momentos em que tudo parecia demasiado: o próximo passo, a próxima subida, o próximo quilómetro.
E foi num desses momentos, em que a vontade de desistir se aproximou perigosamente, que ouvi uma frase simples, mas que ficou gravada de forma profunda: “OLHA PARA A CRUZ.”
Não foi uma resposta imediata a tudo, nem apagou a dor. Mas mudou o foco. Tirou de mim o peso do momento e devolveu-me ao sentido do caminho. Ali, naquele instante, não era apenas o corpo cansado a caminhar, era algo maior a sustentar cada passo.
E foi aí que percebi que não caminhava sozinha, mesmo quando tudo dentro de mim dizia o contrário.
A partilha continuou a ser um dos maiores dons do caminho. Palavras breves, silêncios partilhados. Pequenos gestos que, naquele contexto, ganham uma dimensão enorme. Ninguém precisa de explicar muito, basta estar.
Os sorrisos surgem no meio da exaustão, verdadeiros precisamente por isso.
Há uma espécie de reconhecimento mútuo entre peregrinos: todos sabem o que significa continuar quando o corpo já pediu para parar.
Os sentimentos tornam-se intensos e misturados. Há dor e alegria no mesmo dia, fraqueza e força no mesmo passo, dúvida e fé no mesmo coração. Tudo coexistindo sem conflito, como se o caminho ensinasse que a vida também é assim.
E a fé… a fé foi o que me levou a continuar quando já não havia garantias de nada. Não uma fé fácil ou abstrata, mas uma fé vivida no concreto do esforço, no silêncio da estrada, no simples ato de não desistir.
Nesta peregrinação, percebi que há momentos em que o caminho não pede explicações.
Pede apenas que olhemos para a Cruz… e continuemos.
Grata, sempre e para sempre a cada um de vós, queridos amigos”
Margarida Claro

