O Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, lançou a Exortação “Acolher a Graça do Perdão” onde apela à redescoberta do Sacramento da Penitência e apresenta a Reconciliação “como o caminho concreto para curar um mundo ferido por divisões e conflitos”.
“Neste mundo que tantas vezes responde ao conflito com mais conflito, torna-se cada vez mais urgente redescobrir o valor da reconciliação, não como um ideal distante, mas como um caminho concreto para reconstruir relações feridas e restaurar a esperança”, pode ler-se.
O documento, divulgado esta sexta-feira, surge num “tempo marcado por profundas divisões”, onde as polarizações separam famílias e nações, e a lógica do conflito parece prevalecer sobre o diálogo.
O Bispo recorda que a Igreja tem a missão de ser instrumento de uma cultura da “paz, desarmada e desarmante”, citando o Papa Leão XIV, e convida os fiéis a olhar para o Sacramento da Reconciliação como o lugar onde se recupera a “dignidade de filhos”.
“A presente Exortação Pastoral tem como propósito convidar os fiéis e todas as pessoas de boa vontade a redescobrir a profundidade espiritual e eclesial do Sacramento da Penitência, que nos faz regressar à comunhão com Deus e com os irmãos”, escreve.
O Ritual da Penitência, reformado após o Concílio Vaticano II, é destacado na Exortação e D. Virgílio insiste que a confissão não deve ser reduzida apenas ao perdão de pecados graves, mas sim compreendida como um “caminho de crescimento espiritual e de santidade”.
O prelado detalha as várias formas de celebração, dando especial ênfase às celebrações comunitárias com confissão individual, que manifestam o caráter eclesial do perdão.
“O pecado pessoal de um só membro da comunidade tem implicações na vida da Igreja como um todo”, recorda, indicando a necessidade da mediação sacerdotal.
A Exortação Pastoral termina com pedidos diretos à comunidade diocesana, exortando os sacerdotes a “disponibilizarem tempo para a celebração da penitência, com horários adequados”, para que os fiéis saibam que há sempre alguém disponível para os escutar e aos leigos o convite é para uma celebração regular do sacramento.
“Convido todos os fiéis da nossa Diocese a celebrarem com regularidade o Sacramento da Reconciliação, reconhecendo que, através deste sinal da graça, Deus reconstrói em nós a vida divina que recebemos no batismo e que o pecado vai obscurecendo”, conclui.
O Bispo encerra com uma imagem de esperança, lembrando que Deus é o Pai que sempre espera pelos filhos para os abraçar e “fazer festa” pelo seu regresso.

