A fé é uma experiência de encontro com o mistério do Ressuscitado, Aquele que, vencendo a morte, nos alarga o coração e o olhar para sermos capazes de contemplar a vida e a história para além das evidências! É uma experiência pessoal, porque acontece no coração de cada um de nós, mas que se vive dentro da comunidade crente, no meio da qual o Senhor prometeu estar sempre presente, quando dois ou três se reunirem em seu nome.
O domingo de Pascoela, com o qual se conclui este grande domingo de Páscoa, celebrado ao longo de 8 dias, põe diante de nós a realidade da fé que se vive enquanto experiência pessoal, no seio de uma comunidade.
Na primeira Páscoa, no primeiro dia da semana após os trágicos acontecimentos da cruz, Jesus ressuscitado faz-se presente no meio dos seus discípulos, dando-lhes o dom da sua Paz! A alegria do encontro fê-los serem portadores de um feliz anúncio, nomeadamente, junto de Tomé, que não estava com eles. Tomé, querendo viver a dor e a tristeza na solidão, prescindiu da comunidade, por isso, não fez a experiência do encontro, com Aquele que tinha vencido a morte. Perante o anúncio, a incredulidade: “se não puser as mãos no seu lado, nas suas chagas, não acreditarei!”
Tomé representa-nos a nós! Representa-nos na nossa forma de ser individualista; representa-nos numa experiência de fé marcada pela dúvida; representa-nos nos medos, que nos paralisam; representa-nos nas incertezas que marcam o nosso caminho; representa-nos no nosso desejo profundo de compreender a realidade e o mundo de uma forma mais plena, a partir da nossa racionalidade!
Quantas vezes não preferimos o individualismo (também na experiência religiosa), convictos de que, sozinhos, podemos ser mais, compreender mais e viver melhor?! Quantas vezes não preferimos uma experiência de fé autocentrada, no silêncio e na solidão, prescindo dos outros e, inclusivamente, olhá-los como um estorvo?!
Tomé encontrou o Ressuscitado, porque lhe foi anunciado que Ele estava vivo e, porque, no meio das suas dúvidas e incertezas, aceitou estar com os seus irmãos, “oito dias depois”, no domingo seguinte, no primeiro dia da semana! É no seio dessa comunidade que, o outrora incrédulo Tomé, não só encontra Cristo Vivo e dissipa as suas dúvidas, como faz a maior de todas as profissões de fé: “meu Senhor e meu Deus!” Diante desta manifestação de fé, Jesus evidencia que serão felizes os que acreditarem sem terem visto!
Este domingo de Páscoa desafia-nos a reconhecer que somos cristãos sempre em relação e que é no seio de uma comunidade concreta, com as suas virtudes e os seus defeitos, que podemos encontrar Cristo Vivo; convida-nos também a reconhecer que a fé é um caminho que se faz, entre dúvidas e incertezas, abrindo o olhar interior do coração à contemplação do mistério; convoca-nos a acolher o desafio de sermos nós cristão, no mundo de hoje, a presença do Ressuscitado que é portadora de uma nova esperança e geradora de uma profunda alegria.
Que Cristo Ressuscitado, que nos traz a Paz de Deus, nos conceda o dom da fé, nos torne seus mensageiros até aos confins do mundo e nos faça portadores da sua alegria.

