- Enfoque

Cuidemos!

Sónia Neves

Sónia Neves - Enfoque

A tempestade Kristin não pediu licença. Em poucas horas, cidades do centro do país viram-se a braços com estilhaços, árvores caídas e ruas bloqueadas. 

Coimbra viu o seu quotidiano ser estilhaçado por rajadas que não pouparam telhados, património nem a segurança de quem nela habita. O cenário não é apenas um problema logístico; é um espelho da nossa fragilidade. Quando a natureza se manifesta, as nossas “certezas de betão” tremem. O que vimos não foram apenas números ou alertas meteorológicos, mas a vulnerabilidade da nossa casa comum.

Os danos materiais em toda a diocese são visíveis e exigirão esforço, investimento e, acima de tudo, muita coordenação e união. Muitas das comunidades ficaram com danos nas capelas e igrejas, e a recuperação vai levar muito tempo, saibamos cuidar.

Que a esperança não falte a todos os lesados e que ninguém “se aproveite” da fragilidade destas pessoas.

Nesta semana, apontamos para o fim da primeira visita pastoral do nosso bispo neste novo ciclo. D. Virgílio Antunes esteve seis dias na Unidade Pastoral de Cantanhede distribuindo cumprimentos, conversando e celebrando a fé, numa proximidade elogiada por onde passava. Mostrou-se presente e preocupado com a fragilidade e os pobres, deixou palavras de ânimo e um pedido de compromisso às comunidades: caminharem juntas. 

O encerramento da visita em Cantanhede não foi um mero ato de liturgia, no colóquio que sentou à mesma mesa a Igreja, a Autarquia e o setor empresarial — representado pela ROCA —, D. Virgílio Antunes lançou um desafio: a caridade e a reconstrução social exigem parcerias reais. No momento em que a tempestade Kristin nos recorda a vulnerabilidade física, este debate sobre os pobres e a ação social recordou-nos a nossa responsabilidade moral. Não basta limpar a lama das ruas; é preciso garantir, como se ouviu em Cantanhede, que a ninguém falte a esperança para refazer o seu projeto de vida.

Ao iniciar o mês de fevereiro, a Diocese propõe um tema de oração que, à primeira vista, pode parecer distante dos destroços da tempestade: os namorados. O amor, especialmente na fase do namoro, é o tempo de lançar raízes e construir alicerces.

Rezar pelos namorados é pedir que as futuras famílias de Coimbra construam sobre a rocha e não sobre a areia, saibam cuidar-se. É recordar que o amor é o único abrigo capaz de resistir aos ventos da indiferença e da crise.

E aqui vejo a relação cruzada destes acontecimentos. A tempestade lembrou-nos que somos pequenos; o colóquio de Cantanhede ensinou-nos que somos responsáveis uns pelos outros; e a oração pelos namorados diz-nos que é no amor que reside a nossa maior força de renovação. Cuidemos uns dos outros!

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