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Solidariedade afasta traumas após temporal e cheias em Soure

A “rápida mobilização da autarquia e a entreajuda entre vizinhos” foram fatores cruciais

Foto: DR - Soure

Sara Pimentel, médica de família e membro do equipa de animação pastoral da Unidade Pastoral de Soure, partilhou com o Correio de Coimbra que a “rápida mobilização da autarquia e a entreajuda entre vizinhos” foram fatores cruciais em dias difíceis de temporal e cheias.

“Acho que a experiência anterior do Leslie fez com que as coisas corressem bem logo desde o início”, afirma em entrevista ao Correio de Coimbra.

Embora se registem danos materiais significativos, “especialmente em telhados e coberturas, não houve vítimas mortais nem feridos graves a registar em Soure” e a vila recupera devagar.

Sara Pimentel é médica de família no Centro de Saúde local e faz um balanço positivo da resposta operacional, com a “prontidão da autarquia na colocação de geradores em locais estratégicos, como o Centro de Saúde”, garantindo a continuidade dos cuidados logo na manhã a seguir à tempestade. 

A criação de um “banco de telhas”, organizada pela Câmara Municipal foi uma das medidas citadas, iniciativa que “visa apoiar quem sofreu danos em habitações antigas, cujas telhas de cerâmica já não se fabricam”.

Olhando a realidade que foi acompanhando, “sem parar de trabalhar”, Sara Pimentel realça o papel da comunidade. 

“Houve um grande esforço de ajuda, não só da autarquia, como dos próprios vizinhos, aqueles que tiveram menos danos mobilizaram-se de imediato para ajudar os mais afetados”, explica.

No Centro de Saúde de Soure, a médica referia que “além dos principais motivos de consulta nestes dias surge a preocupação da gestão da ansiedade e traumas emocionais”. 

“As pessoas estavam muito preocupadas, especialmente aquelas que já têm uma patologia ansiosa de base”, refere.

As consultas decorreram dentro da normalidade mas “também houve um registo de ferimentos físicos decorrentes das tentativas de reparação das casas e limpeza de vias, como cortes com motosserras ou quedas e tonturas de pessoas mais idosas que tentaram subir aos telhados para avaliar os estragos”.

A equipa médica tem adotado uma postura proativa e questionam “como têm vivido estes dias. A saúde é um bem-estar biopsicossocial, não é só a parte física que nos preocupa”.

Também a Igreja se dispôs na ajuda, tendo servido de “ponte para algumas situações”.

“Foram casos pontuais de pessoas que pediram ajuda na paróquia, pessoas mais velhas, sem rede de apoio ou familiares por perto, e, rapidamente, foi possível ajudar com materiais e mão de obra; situações que ali, só a comunidade religiosa, podia ajudar”, salienta. 

Sara Pimentel conta ainda que, no domingo após a tempestade, a paróquia se reuniu em oração. 

“Fizemos a nossa tarde de adoração e louvor, também a oração por todos aqueles que foram afetados pelas cheias e agradecemos também toda esta ajuda que tem sido dada”, partilha.

Apesar do medo sentido durante o pico da tempestade, a agente pastoral acredita que o apoio visível no terreno, desde a Proteção Civil à autarquia e Juntas de Freguesia e a própria Igreja, “ajuda a minimizar possíveis traumas a longo prazo”.

Segundo Sara Pimentel, com a previsão de melhoria das condições climatéricas nos próximos dias, a expectativa em Soure é de que a “normalidade seja totalmente restabelecida, mantendo-se o espírito de vigilância e entreajuda que caracterizou esta resposta”.

A Unidade Pastoral de Soure reúne as paróquias de Alfarelos, Brunhós, Figueiró do Campo, Gesteira, Granja do Ulmeiro, Samuel, Soure, Tapéus, Vila Nova de Anços e Vinha da Rainha.

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