Na Missa Crismal desta Quinta-feira Santa, o Bispo de Coimbra pediu que a comunidade continue a ser “sujeito do anúncio da Boa Nova aos pobres” e apelou ao Clero que assuma o “estilo de Jesus como o nosso estilo de vida e de ação”.
“Caríssimos irmãos, sacerdotes, recebemos como graça a unção do Espírito Santo e a vocação de incarnar o espírito de Jesus na totalidade da nossa vida. Acolhemos a missão da Igreja como a nossa missão e o estilo de Jesus como o nosso estilo de vida e de ação. A nossa configuração com Cristo, sendo espiritual é radicalmente existencial, ou seja, é plenamente incarnada na totalidade de nós mesmos, da nossa vontade, da nossa liberdade, do nosso corpo e da nossa vocação”, referiu na homilia enviada ao Correio de Coimbra.
Com o Clero da Diocese de Coimbra reunido na Sé Nova, D. Virgílio Antunes indicou que a “configuração com Cristo” faz do Clero “homens espirituais” e que tem de expressar-se na “atitude de vida, no modo de ser e de estar, na profundidade das opções, no ardor da fé, na disponibilidade do serviço, no amor a Deus e aos irmãos”.
“Nesta manhã em que os sacerdotes renovam as promessas feitas no momento de graça da sua ordenação, recordamos que os mesmos sacerdotes, nascidos dentro do Povo de Deus, recebem a especial vocação da configuração com Cristo pela unção espiritual. Por esse motivo, os sacerdotes são os primeiros a ser chamados a identificar-se com Jesus, a oferecer a sua vida ao Pai e a anunciar a Boa Nova aos pobres”, afirmou.
Na celebração desta Quinta-Feira Santa em que são benzidos os óleos, dos catecúmenos e dos enfermos, e o óleo do Crisma, o Bispo de Coimbra exortou *a renovação da fé na Igreja” para todos os batizados.
“Como Igreja espiritual, porque animada pelo Espírito Santo, manifestamos a disponibilidade para acolher Cristo no nosso mundo e para O dar a conhecer como presença de Deus no nosso tempo. Nesses óleos reconhecemos a graça de Deus para abraçar a fé, para curar os doentes e desanimados, reconhecemos a força do Espírito de Deus que une os cristãos a Cristo para sempre”, disse.
“Todos nós, os seus membros, a partir do batismo recebemos a unção do Espírito que nos confere a existência cristã, a identidade cristã e a participação na missão da Igreja. Enquanto Igreja Povo de Deus, comunidade ungida pelo Espírito Santo, somos agora o sujeito do anúncio da Boa Nova aos pobres, dando continuidade no tempo ao ministério de Jesus, que nos deixou esse mandato”, acrescentou.
Partindo da passagem do Evangelho de São Lucas onde Jesus proclama na Sinagoga de Nazaré que “o Espírito do Senhor está sobre mim”, D. Virgílio sublinhou que Cristo é o eixo onde tudo converge, e não se pode ficar só pela imagem “influente no modo de vida de muitos e marcante no percurso da civilização ocidental”.
“A fé cristológica leva-nos sempre a dar o passo seguinte, mas mais difícil para a mentalidade hodierna: acreditar que Jesus é o Filho Unigénito de Deus, concebido no seio da Virgem Maria, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, consubstancial ao Pai, presente e atuante em todos os tempos da história como Senhor e Salvador, que a todos abraça e ama”, aponta.
A celebração terminou com um convite à fidelidade no serviço, inspirada no amor com que Deus ama a humanidade e indicando o anúncio da Boa Nova.
“Caríssimos irmãos, sacerdotes, o Espírito do Senhor está também sobre nós, porque Ele nos ungiu para anunciarmos a Boa Nova aos pobres. Agradeçamos ao Senhor este dom e peçamos-Lhe a graça da fidelidade no serviço, com o mesmo amor com que Ele nos ama e renovando sempre a nossa condição de homens espirituais”, concluiu.

