No Domingo de Ramos, o Bispo de Coimbra, D. Virgílio Antunes, sublinhou que a entrega de Jesus na Cruz é o modelo para todas as relações humanas, perante um “mundo martirizado” apelou ainda à fidelidade e à capacidade de sofrer com os outros.
D. Virgílio Antunes presidiu à celebração do Domingo de Ramos, na Sé Nova, e, na sua homilia, destacou que a Paixão de Cristo não é apenas um relato histórico, mas a “prova suprema” de que as promessas de Deus se cumprem em acontecimentos concretos.
“As palavras da revelação precisavam de ser provadas por gestos. Amar implica estar disponível para sofrer com os outros e pelos outros”, afirmou.
Segundo o Bispo de Coimbra, tal como Deus provou o Seu amor através da entrega do Filho, também nas relações entre esposos, pais e filhos, o amor exige mais do que declarações verbais.
“Dá-se a prova da fidelidade e do amor, quando se vive verdadeira paixão pelos outros, isto é, quando se é capaz de sofrer com os outros e pelos outros. A prova maior é a da disponibilidade para dar a vida a favor dos outros ou em vez dos outros nos acontecimentos de cada dia”, indicou.
D. Virgílio Antunes referiu-se ao “mundo martirizado” pelas guerras e injustiças atuais e indicou que a “contemplação da Cruz oferece o único caminho de renovação e fraternidade possível: a capacidade de colocar o bem do próximo acima do egoísmo individual”.
“Ao pensarmos na humanidade martirizada pelas guerras, pelas injustiças e pelas divisões que matam, voltamos a contemplar a paixão de Cristo, acontecimento inspirador da renovação do mundo que desejamos. O único caminho para a paz, a reconciliação e a fraternidade que transformam o mundo, é a vida segundo a Boa Nova de Jesus que se oferece em dádiva de amor”, explicou.
O prelado alertou ainda para a vulnerabilidade de uma sociedade que perde a sua dimensão religiosa.
“A falta do sentido de Deus e a perda da dimensão religiosa e crente da vida deixa-nos vulneráveis à nossa débil humanidade, a fidelidade enfraquece e o amor somente humano pode mesmo corromper-se”, afirmou.
Ao terminar, o Bispo de Coimbra pediu “o dom da fidelidade e do amor inspirados em Jesus Cristo, diante de quem nos ajoelhamos em adoração, louvor e gratidão pela sua oferta por nós ao Pai”.

