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Igreja assinala Dia de Portugal com convite a «vencer o medo juntos» e à defesa da vida

O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana publicou uma mensagem para as celebrações do 10 de junho

Foto: Agência ECCLESIA/MC

O presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, da Igreja Católica em Portugal, publicou uma mensagem para as celebrações do 10 de junho, convidando o país a  “vencer o medo juntos” e à defesa da vida.

“O Portugal de sempre será o Portugal de amanhã se souber velar pela própria verdade, na defesa da vida toda e de todas as vidas. E que fique claro: a incontestável matriz cristã da identidade portuguesa impele-nos ao diálogo, que também é inter-religioso e intercultural; inspira-nos fraternidade e valorização da liberdade; convoca-nos à corresponsabilidade e à inclusão”, escreve D. Pedro Fernandes, na mensagem para o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 2026.

Entre “a gratidão e o compromisso”, o responsável católico elogia o “plural povo português, que se celebra a 10 de junho” e deseja que “seja permitido vencer o medo juntos, não divididos”, na procura de paz e no diálogo, “não nos discursos de ódio”, e “num sério ‘cumprimento’ de Portugal regido pela busca do “bem comum”.

“A todos os nossos irmãos cristãos e a todos os outros nossos concidadãos, portugueses ou não, desejo, unido a Cristo, que Portugal se cumpra em nós e entre nós, como um lugar de paz e de justiça para todos”, acrescenta.

D. Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco, assinala que as identidades nacionais têm algo de perene, “em que a continuidade se deve assegurar”, e de dinâmico, que “contraria compreensões imobilistas, rígidas”.

“Sabemos o quanto a identidade nacional e a cultura de um povo se vão construindo e entretecendo ao longo de séculos, acolhendo diferentes inspirações e conjugando diferentes origens, nem sempre lineares. Somos o que somos graças a um longo caminho, feito de memória e criatividade”, sustentou.

Para o presidente da Comissão Episcopal da Mobilidade Humana, a memória é importante quanto ao legado recebido, enquanto a criatividade, “indissociável da memória, é igualmente decisiva”.

“As nossas trajetórias históricas foram um processo criativo, em que nos soubemos reinventar, recolhendo com gratidão o dom e reinvestindo-o em novos desafios. Entre a gratidão e a construção, eis onde nos podemos ir descobrindo e afirmando”, acrescentou.

No âmbito do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o responsável católico também refere-se ao contexto global contemporâneo que “é marcado pela incerteza e por uma mudança nem sempre reconfortante”: “Espreita-nos o medo e a tentação de nos recurvarmos sobre nós, temorosos do que aí venha e do que os outros nos tragam”.

Segundo D. Pedro Fernandes, a história, “e também a fé cristã” que o anima, dizem que “é no diálogo e no acolhimento” que se encontra a estabilidade “e as condições para evoluir”, e destaca que o Papa Leão XIV na sua primeira encíclica ‘Magnifica Humanitas’ (Magnifica Humanidade), apresenta “duas imagens sugestivas”, da Torre da Babel, “feita de identidades fechadas e autoritárias”, e da reconstrução da Cidade Santa, que, “ao tempo de Neemias, se empreendeu num esforço comunitário de envolver todos”.

Na mensagem para o 10 de junho, D. Pedro Fernandes salienta que o poeta português “tocou algo de essencial” do que se é enquanto povo que “sabe estar e sabe partir, que sabe fazer do encontro de povos e culturas uma fonte para se assumir”, e citou também Miguel Torga, Sophia de Mello Breyner, e Fernando Pessoa.

O programa comemorativo do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 2026 começou no Luxemburgo, com a visita do presidente da República, e outros responsáveis políticos à comunidade lusa e lusodescendentes no grão-ducado, e vai continuar nos Arquipélagos dos Açores e da Madeira; António José Seguro designou a Ilha Terceira como sede das comemorações.

(Com Agência Ecclesia)

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