A Liga Operária Católica (LOC/MTC) reuniu, no passado sábado, os militantes de Aveiro, Coimbra e Guarda, para olhar para a migração e o trabalho digno, e querem “convidar e integrar ativamente os migrantes nos grupos de reflexão e nas comunidades paroquiais”.
“Os caminhos concretos passam por convidar e integrar ativamente os migrantes nos nossos grupos de reflexão e nas comunidades paroquiais, garantindo que tenham uma voz própria tanto dentro da nossa organização como na sociedade civil”, refere nota enviada ao Correio de Coimbra.
Após o encontro no Seminário Santa Joana Princesa, em Aveiro, foi escrito o comunicado que aponta o fortalecimento do “trabalho em rede, criando parcerias locais que apoiem quem chega, nomeadamente no ensino da língua portuguesa e no acesso à saúde e aos direitos laborais”.
“Como movimento de trabalhadores cristãos, reafirmamos o nosso papel de “porto seguro”, mantendo a coragem para denunciar situações de exploração, sejam elas no trabalho, na habitação ou em qualquer outra área que atente contra a dignidade humana”, pode ler-se.
“A LOC/MTC reafirma que o trabalho não é uma mercadoria, mas a base da paz social. Como país de emigrantes que somos, defender quem chega é honrar a nossa própria história”, acrescenta.
Filipa Saraiva, investigadora da Universidade de Coimbra, que tem dedicado o seu trabalho académico à temática das migrações, foi a oradora do encontro e revelou que “quase 29% dos migrantes em Portugal vivem em risco de pobreza e de exclusão social”.
A oradora explicou que estas pessoas enfrentam grandes barreiras, como a falta de conhecimento da língua e dos seus direitos, o que as torna alvos fáceis para a exploração. Foi também desmistificado o medo de que os migrantes “roubem” o trabalho aos portugueses.
“Na verdade, eles preenchem lacunas em setores que a nossa população já não aceita. Proteger o migrante de salários baixos e condições indignas é a única forma de proteger também a dignidade de todos os trabalhadores nacionais. Inspirado pela atitude de compaixão do Bom Samaritano, o movimento definiu passos concretos para o futuro da LOC/MTC”, indica a nota.
O movimento assumiu o desafio de “não ficar em silêncio perante a injustiça e a exploração, combatendo o preconceito e valorizando sempre a relação entre as pessoas acima do dinheiro”.
“Acreditamos que acolher com amor significa reconhecer que cada migrante é uma pessoa com um rosto e uma história, devendo ser tratado pelo seu nome e nunca como um simples número ou estatística”, conclui.


