A minha semana andou “embrulhada” pela preparação do diálogo com o Bispo de Coimbra, na passada terça-feira, sobre o Sacramento da Reconciliação. Entre as notícias de toda a diocese no Correio de Coimbra surge o desafio de preparar um guião de questões para esta conversa, em tom informal e de diálogo online, com a minha preocupação de fazer perguntas interessantes para o público alvo.
Preparar um momento como este, e por isso trago para este Enfoque o tema, é muito mais do que preparar uma entrevista, é tentar ser a voz dos que podiam estar ali, com as dúvidas, as inquietações e até os receios que os fazem afastar da Confissão. Depois de tudo ter corrido bem, ao nível técnico, a transmissão foi vista por centenas de pessoas, em direto, e, seguramente, vai ser visualizada por muitas noutras alturas. Os ecos do diálogo começaram a chegar logo que se desligaram as câmaras e ficámos em off. A minha esperança é que possam ter sido lançadas muitas sementes que germinem, a seu tempo, na paz e na alegria do caminho do perdão.
O cuidado de esclarecer este Sacramento não é um caminho fácil e há muitas mágoas por resolver mas, com toda a simplicidade, foi anunciado um novo texto para mais (in)formação, “Acolher o Perdão” é a nova exortação que D. Virgílio Antunes vai publicar nos próximos dias.
E é também na imperfeição assumida que encontramos a beleza de ser pai nos dias de hoje. Neste Dia do Pai, que o calendário assinala, não celebramos super-heróis mas homens comuns que, na sua fragilidade e dedicação, se tornam extraordinários.
A entrevista com Rui Bento neste Grande Plano é um testemunho de alguém que entre a exigência profissional e a montagem de Legos no chão da sala, nos recorda que ser pai é ser “servo, bom e fiel”. No exemplo deste pai da paróquia de S. José, em Coimbra, vemos refletida a força de São José, o homem justo que, sem precisar de muitas palavras, soube dizer “sim” à missão de cuidar.
Tal como no Sacramento da Reconciliação, o que importa não é o erro cometido, mas a coragem de levantar a cabeça e recomeçar, todos os dias, com um sorriso. Que este caminho, vivido em Quaresma, nos leve a uma Páscoa mais humana, onde cada pai se sinta fortalecido na sua missão e cada filho se sinta abraçado por esse amor. Feliz dia do Pai!

