«Pobres, Sinodalidade e Evangelho»

A primeira visita pastoral do bispo de Coimbra neste novo ciclo começou na sexta-feira, dia 24 de janeiro, em Cantanhede. A manhã estava fria e chuvosa mas o salão nobre da autarquia estava cheio para dar as boas vindas a D. Virgílio Antunes.
“Entre as pessoas, quer enquanto instituições, quer enquanto pessoas, no seio familiar, em qualquer âmbito de realização da nossa vida, se aprendermos a relacionarmo-nos tendo como modelo Jesus, nós construímos uma sociedade muito, muito mais feliz”, afirmou.
D. Virgílio Antunes mostrou-se satisfeito por iniciar este ciclo de visitas pastorais e defendeu que “a pessoa tem de estar sempre no centro destas ações” para que a visita “seja bem sucedida”.
“Desejo que este momento seja de boas relações, que seja de coesão e de unidade, de encontro e de relações entre todas as partes, sem qualquer exceção”, acrescentou.


Depois deste momento inicial aconteceu um encontro com alunos de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) da Escola Secundária Lima de Faria, no centro paroquial de S. Pedro, onde os jovens prepararam músicas e questões para o bispo diocesano.
O grupo CT3, uma banda de alunos, iniciou com o tema “Junto ao Mar”, convidando ao ambiente sereno e descontraído, e depois houve tempo para as questões.
D. Virgílio Antunes apresentou-se, recordou o seu tempo de escola, destacando a “importância da educação”, e encorajou os alunos de EMRC a considerarem o tempo na disciplina como “investimento para descobrirem o verdadeiro sentido da vida”, onde a música pode “ser uma ferramenta importante para essa descoberta”.
A vocação sacerdotal de D. Virgílio, dúvidas de fé, o celibato dos padres e diferenças nas outras religiões foram perguntas colocadas ao bispo diocesano que, prontamente, foi respondendo e entusiasmando o auditório cheio de alunos.


Houve tempo para a celebração da Eucaristia com o grupo de catequistas da Unidade Pastoral, a quem deixou o ânimo para a evangelização de crianças, adolescentes e jovens.
“Não vamos pensar só na responsabilidade que temos mas devemos acelerar o passo para evangelizar; digo mais: temos de ter a alegria para anunciar”, indicou na sua homilia, na Igreja de Outil.
Os dois agrupamentos de Escuteiros do Corpo Nacional de Escutas que integram a Unidade Pastoral, agrupamento 382 de Cantanhede e agrupamento 1390 Tocha, juntaram os seus dirigentes para um momento de convívio.
Apesar da chuva que se fazia sentir, D. Virgílio Antunes visitou ainda o Campo Escola Fonte D. Pedro, em Cantanhede, e almoçou com os dirigentes e associação de pais dos escuteiros.
Nos seis dias pela Unidade Pastoral de Cantanhede, D. Virgílio teve ainda a oportunidade de jantar em casas de família, visitar várias instituições, como os bombeiros de Cantanhede ou o centro social de Cadima, também empresas e estar num encontro com as oito instituições de apoio a idosos.

Na sexta-feira, dia 30 de janeiro, visitou o Bairro Vicentino, onde descerrou uma lápide alusiva à requalificação deste local, onde habitam 20 famílias, num total de 54 pessoas. O bairro “estava sob gestão da Sociedade de S. Vicente de Paulo de Cantanhede, instituição que, ao longo de décadas, tem ajudado pessoas e famílias carenciadas, providenciando alojamento, entre outros apoios”.
A reabilitação das duas dezenas de habitações foi levada a cabo pela Câmara Municipal de Cantanhede, na sequência de um contrato de cedência de direito de superfície estabelecido com a Diocese de Coimbra – e que lhe permite ter agora a gestão do espaço durante um prazo mínimo de 20 anos.
“Um dos momentos que me marcaram nesta visita foi a visita aos doentes, com o apoio do grupo socio caritativo e da conferência vicentina pude estar e conversar com os que estão mais sós, isso marca sempre; não é tudo a uma só voz, nem tudo são as cores da alegria, do desenvolvimento e bem estar”, revelou o bispo de Coimbra este domingo.


No sábado, dia 31 de janeiro, o prelado teve oportunidade de visitar o Centro de medicina de Reabilitação da Região Centro, Rovisco Pais, e celebrar Eucaristia no santuário mariano da Tocha.
“Recordo a passagem no Rovisco Pais, na Tocha, onde há homens e mulheres da minha idade, em consequências de AVC,ou acidente ou quedas, e que se encontram em situação verdadeiramente difícil de ultrapassar, não só a lutar pela reabilitação física mas a lutar pela reabilit interior, é um lugar aqui bem perto e onde a visita nos deixa altamente perturbados; momentos tocantes, que tocam o coração, tocam aquilo que somos e aquilo que pensamos”, referiu o bispo diocesano.
No último dia da visita pastoral, D. Virgílio Antunes participou no colóquio “A ação da Igreja a favor dos pobres e os desafios de acolher e integrar”, numa reflexão que uniu Pedro Cardoso, vice presidente da Câmara de Cantanhede, Rui Rato, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Cantanhede e Nuno Rodrigues, diretor de recursos humanos da empresa ROCA.
Acolher, integrar e ajudar no compromisso de todos foi a visão da Igreja, autarquia, instituição e empresa que, “caminhando em rede” mostraram-se empenhados na promoção da dignidade humana, nas várias áreas de atuação.
D. Virgílio Antunes indicou que na Unidade Pastoral “há lugar para o alargamento do coração e alargamento da nossa tenda, numa atitude de acolhimento e cuidado para com os outros” e destacou que sentiu o “espírito da sinodalidade bem presente”.

No fim do colóquio, o bispo diocesano deixou três palavras como compromisso a ser feito pelas comunidades após a visita pastoral: “Pobres; Sinodalidade e Evangelização”.
“A palavra Pobres foi posta na agenda pelo Papa Francisco e aqui não podemos descuidar; depois a Sinodalidade, onde se caminha juntos, procurando não esquecer ninguém, não deixar ninguém para trás e depois a Evangelização, o anúncio da Palavra, tão necessário nestes tempos tão complexos”, indicou.
A tarde seguiu com um momento de folclore promovido pelo Cancioneiro de Cantanhede, Grupo Folclórico da Sanguinheira e Grupo Típico de Cadima, numa homenagem à Gândara, através da figura de “António Taboeira”.
O objetivo da visita pastoral foi fortalecer a fé das comunidades e promover a união entre o Bispo, os párocos e os leigos, através dos Conselhos Pastorais e Equipas de Animação Pastoral, que se concretizou na “alegria e o gosto de bem acolher por parte dos fiéis e da população em geral, a proximidade e tempo do bispo para estar e conversar com as pessoas”, bem como a colaboração de várias entidades públicas, privadas e do terceiro setor.

O encerramento desta visita pastoral fez-se através de uma oração mariana, unindo pessoas das várias paróquias: Cadima, Cantanhede, Outil, Portunhos, Sanguinheira e Tocha.

